As redes privativas 5G deixaram de ser apenas uma evolução da conectividade corporativa. Elas se tornaram o sistema nervoso da Indústria 4.0, conectando máquinas, sensores, robôs e aplicações críticas em tempo real. Porém, essa hiperconectividade traz novos vetores de ataque que preocupam a alta gestão.
A preocupação é fundamentada em números: de acordo com o Global Digital Trust Insights 2025 da PwC, 66% dos líderes de tecnologia e segurança priorizam a mitigação de riscos cibernéticos acima de qualquer outra iniciativa digital, citando a complexidade da conectividade em nuvem e redes industriais como as principais áreas de exposição.
Quando essa rede falha, o impacto não é apenas digital: pode significar parada de produção, perdas financeiras e riscos à integridade física de pessoas.
Mais do que verificar conformidade técnica, a auditoria de segurança para redes privativas 5G permite identificar esses riscos ocultos, testar a resiliência da arquitetura e garantir que a conectividade que sustenta a operação seja tão confiável quanto crítica.

Por que a auditoria em 5G Privado exige uma nova abordagem?
Antes de entrar nos testes técnicos, é essencial entender por que auditar uma rede privativa 5G é diferente de auditar uma rede corporativa tradicional.
O 5G amplia drasticamente a superfície de ataque ao conectar milhares de dispositivos IoT, muitos deles críticos para a operação.
Além disso, surge o modelo de responsabilidade compartilhada: parte da segurança depende do fornecedor da infraestrutura, mas políticas, integrações e gestão de identidades passam a ser responsabilidade direta da empresa.
A lacuna entre adoção acelerada e maturidade em segurança
Uma pesquisa global da Trend Micro e da CTOne (2025) mostra que, embora a adoção de redes privativas 5G esteja em forte expansão em setores críticos como manufatura, energia, logística e saúde, a segurança não tem acompanhado esse ritmo.
O estudo aponta que apenas 20% das organizações possuem uma equipe dedicada à segurança de redes de comunicação e que menos de 18% do orçamento de segurança é destinado ao 5G privado, mesmo diante do alto volume de dados sensíveis e aplicações de missão crítica.
Além disso, mais de nove em cada dez organizações relatam dificuldades para implementar segurança baseada em IA nesses ambientes, principalmente por falta de expertise interna.
Esse cenário cria lacunas relevantes na proteção de ambientes OT e reforça a necessidade de uma auditoria de segurança para redes privativas 5G, estruturada, contínua e orientada a riscos operacionais.
Diferentemente do 5G público, onde os dados e políticas ficam sob controle da operadora, no 5G privado o controle está “dentro de casa”, o que permite maior customização, mas também exige maturidade em governança e segurança.

Como validar o isolamento da arquitetura e o Network Slicing?
O Network Slicing é um dos pilares das redes privativas 5G, permitindo criar fatias lógicas com diferentes níveis de desempenho e segurança. A auditoria deve começar verificando se esse isolamento é real ou apenas conceitual.
Na prática, o auditor precisa testar se uma violação em um slice menos crítico não permite movimentação lateral para um slice de missão crítica.
A lógica é semelhante a compartimentos estanques em um navio: se uma área for comprometida, o dano não pode se espalhar.
Pontos de verificação na auditoria:
- Avaliação de vulnerabilidades em network slicing, com testes de isolamento entre fatias;
- Testes de movimento lateral entre slices IoT e slices industriais críticos;
- Verificação da segurança do MEC (Multi-access Edge Computing), incluindo controles físicos e lógicos nos servidores de borda.
Como assegurar que o Zero Trust está implementado no 5G?
Nenhuma auditoria moderna de redes privativas 5G é completa sem validar o modelo Zero Trust. O conceito de “rede confiável por padrão” não funciona em ambientes com IoT, mobilidade e múltiplos domínios.
A auditoria deve confirmar que todo dispositivo é autenticado, autorizado e monitorado continuamente, independentemente de onde esteja conectado.
Principais pontos de validação:
- Autenticação forte baseada em 5G-AKA ou EAP-TLS, padrões do 5G e de redes corporativas que usam certificados e chaves criptográficas para garantir que apenas dispositivos autorizados acessem a rede;
- Gestão do ciclo de vida de SIM e eSIM, incluindo revogação imediata em caso de perda ou roubo;
- Controles contra clonagem de SIM em ambientes industriais.
Saiba mais: 5 aplicações da tecnologia blockchain para ter segurança nas transações
Como blindar a interface de rádio da sua empresa?
A interface de rádio é uma das camadas mais expostas da rede privativa 5G e, ainda assim, uma das menos auditadas. É aqui que surgem riscos como False Base Stations e tentativas de interceptação de tráfego.
A auditoria deve ir além da criptografia básica e verificar se a rede está protegida desde a sinalização até o tráfego de dados.
O que deve ser auditado:
- Uso de autenticação mútua, onde o dispositivo valida a rede e vice-versa;
- Criptografia da sinalização NAS, não apenas dos dados do usuário;
- Verificação do uso correto do SUCI, recurso do 5G que protege a identidade do dispositivo durante a conexão, dificultando interceptação e rastreamento por IMSI Catchers.
Veja também: Como implementar um framework de segurança cibernética no trabalho remoto de ISPs?
Convergência IT/OT e proteção de redes legadas
A convergência entre IT e OT é um dos principais pontos de risco em redes privativas 5G. Essas redes não funcionam isoladas e a auditoria deve focar exatamente nas integrações com sistemas legados, onde surgem os vetores de ataque mais críticos.
É essencial mapear todas as conexões entre o core 5G, a LAN corporativa e os ambientes industriais.
A validação deve incluir a segurança da interface N6, garantindo controle, inspeção e registro do tráfego.
Também é necessário avaliar como protocolos industriais legados, como Modbus e Profinet, estão sendo transportados, já que não possuem segurança nativa.
O uso de túneis seguros, segmentação e isolamento é fundamental para evitar a propagação de ataques entre IT e OT.
Confira: Conheça os diferenciais da estrutura privada de 5G industrial
Visibilidade, logs e conformidade regulatória
Uma auditoria eficaz começa pela visibilidade. Não é possível proteger o que não é monitorado.
O auditor deve validar se os eventos do core 5G, das interfaces de rádio e do MEC (processamento na borda) estão integrados ao SIEM ou SOC corporativo, permitindo visibilidade centralizada e resposta rápida a comportamentos anômalos.
Do ponto de vista regulatório, a auditoria deve cobrir:
- Checklist de compliance Anatel para redes privativas, incluindo enquadramento no Serviço Limitado Privado (SLP);
- Avaliação de soberania de dados, especialmente quando o core 5G roda em nuvem pública;
- Alinhamento com os padrões do 3GPP Release 16 e 17, que definem boas práticas globais de segurança para redes 5G e servem como referência técnica internacional.

Auditoria de segurança como diferencial competitivo
Mais do que uma exigência técnica, a auditoria de segurança para redes privativas 5G se tornou um diferencial estratégico. Ela reduz riscos, aumenta a previsibilidade operacional e viabiliza a adoção segura de automação, robótica e aplicações críticas.
Empresas que tratam a auditoria como parte da estratégia, e não como um custo, conseguem inovar com confiança e escalar seus projetos de Indústria 4.0 de forma sustentável.
Para acompanhar conteúdos aprofundados sobre auditoria de segurança para redes privativas 5G, conectividade crítica e inovação tecnológica, continue acompanhando o Futurecom Digital, o canal de conteúdo da feira Futurecom.
Leia mais
- Fraudes digitais e Inteligência Artificial: como proteger sua empresa em um cenário de ameaças crescentes
- Wi-Fi 7: o que é, como funciona e suas principais vantagens
- Como a engenharia de produtos semiacabados muda a logística industrial?
- Cibersegurança na era da hiperconectividade
- Segurança cibernética e arquitetura de confiança digital
- Violação de dados pessoais: como evitar vazamentos no seu negócio?
- Boas práticas para proteção de data centers contra ataques cibernéticos
- Tecnologias, padrões de interoperabilidade e cibersegurança
- Para o bem ou para o mal: como a IA pode combater a IA na segurança cibernética
- Confira mais conteúdos sobre cibersegurança