O portal Futurecom Digital participou como parceiro de mídia do Universo TOTVS 2026 (13 e 14 de outubro). Logo no primeiro dia, conversamos com Ramon Martins, diretor de dados e IA da TOTVS e palestrante do evento, que revelou as principais novidades do LYNN, foundation de IA dedicada ao mercado B2B.

Segundo o especialista, a plataforma reúne uma série de capacidades tecnológicas, as quais são apresentadas no pingue-pongue a seguir. “Hoje, o desafio não é apenas ter acesso à IA, mas saber por onde começar, quais tecnologias utilizar e como conectá-las às necessidades reais do negócio”, ressaltou Ramon.

Quais novidades do LYNN ganharam destaque durante o Universo TOTVS e o que o público pode esperar desta plataforma?

Ramon Martins: O LYNN é o primeiro foundation de IA da TOTVS, o qual construído foi especificamente para o mercado B2B. Ele reúne uma série de capacidades tecnológicas que permitem entregar uma Inteligência Artificial governada e conectada aos sistemas e processos de negócios, com o objetivo de gerar valor real para as empresas.

Sabemos que existe muita experimentação e movimentação em torno da IA, mas o principal desafio do mercado é transformar essa adoção em resultados concretos. Mostramos como o LYNN permite construir e orquestrar agentes de IA, conectá-los aos sistemas e garantir governança, observabilidade e transparência. Também apresentamos casos de uso reais em 12 segmentos da economia, como varejo, manufatura e saúde, para demonstrar como a tecnologia pode atuar em diferentes contextos e necessidades.

Você poderia compartilhar um exemplo prático de aplicação nas empresas?

Ramon Martins: Temos exemplos em diferentes segmentos. Um desafio comum a muitas empresas está nas operações financeiras, que envolvem uma série de atividades manuais. Para preparar uma remessa de títulos para pagamento, por exemplo, as equipes precisam verificar informações e conferir se tudo está correto antes de autorizar a operação.

Já temos agentes de IA sendo utilizados por clientes para assumir essa rotina operacional de conferência, analisando os títulos e identificando o que está preparado para seguir para pagamento. Com isso, as pessoas ficam responsáveis pelas exceções e pelas decisões que realmente exigem avaliação humana. A tecnologia assume as tarefas repetitivas, enquanto os profissionais podem se concentrar em atividades de maior valor.

Um dos desafios da IA no ambiente corporativo é superar a fase de testes e alcançar resultados em escala. Como o LYNN ajuda as empresas nessa transição e como é possível mensurar os resultados?

Ramon Martins: Esse é justamente um dos principais objetivos da TOTVS, mostrar como as empresas podem sair da experimentação e chegar à captura real de valor com a Inteligência Artificial. O grande desafio é conectar a IA à realidade e ao dia a dia dos negócios. Isso exige, antes de tudo, clareza sobre o problema que a empresa deseja resolver. Ainda vemos muita movimentação motivada pelo entusiasmo em torno da tecnologia, com organizações querendo adotá-la sem necessariamente definir qual necessidade pretendem atender. Nossa orientação é inverter essa lógica.

O primeiro passo deve ser identificar os gargalos operacionais, as atividades que consomem mais tempo e os processos que poderiam ser melhorados. A partir daí, a empresa pode selecionar um ou dois casos de uso prioritários e definir as métricas que serão acompanhadas.

Somente depois dessa definição é que entram os dados, quais informações estão disponíveis, como organizá-las e de que maneira elas podem contribuir para resolver o problema. A IA vem na sequência. Costumamos representar essa lógica como uma pirâmide de prioridades. Muitas empresas começam pelo topo, pela tecnologia em si, quando deveriam partir da base, o problema a ser resolvido e o caso de uso. Depois vêm os dados e, então, a tecnologia capaz de entregar a solução. O LYNN ajuda a estabelecer essa conexão entre a Inteligência Artificial e as necessidades concretas da operação.

Como a plataforma garante segurança, governança e rastreabilidade na utilização dos agentes de IA?

Ramon Martins: Construímos a plataforma sobre três grandes pilares. O primeiro é o de construção, que permite desenvolver agentes de IA. O segundo é o da experiência, pensado para facilitar a utilização e a orquestração desses agentes no dia a dia. Acreditamos que as organizações serão cada vez mais híbridas, formadas por pessoas que trabalharão em conjunto com agentes de IA. Por isso, precisamos oferecer uma experiência que facilite essa colaboração e permita integrar a tecnologia às atividades da empresa.

E o terceiro pilar é justamente a governança. A plataforma permite estabelecer em quais etapas de um processo o agente pode atuar e em quais pontos é necessário inserir uma decisão humana. Essa possibilidade de definir os limites de atuação da tecnologia, manter a transparência e colocar as pessoas nos momentos críticos é fundamental para construir a confiança necessária à adoção da IA nos negócios.

Em que a abordagem do LYNN para o mercado B2B se diferencia da utilização de ferramentas de IA voltadas ao uso individual? Como essa especialização se traduz em produtividade para as empresas?

Ramon Martins: Gosto de olhar para essa questão como uma evolução da produtividade, que pode ser dividida em três grandes fases. A primeira é a produtividade individual, que já vivenciamos. Hoje, as pessoas utilizam a IA para escrever, resumir e-mails e analisar grandes volumes de informações. Isso gera ganhos importantes no trabalho cotidiano, mas existe uma limitação, para as empresas, é difícil governar e mensurar esses ganhos individuais e transformá-los em eficiência para o negócio. A segunda fase é a produtividade dos processos de negócio, impulsionada especialmente pelos agentes de IA. Em vez de ajudar uma pessoa a realizar uma tarefa isolada, a tecnologia passa a automatizar atividades dentro de um processo, trabalhando em conjunto com os profissionais.

Neste cenário, os resultados ficam mais mensuráveis. Uma empresa pode identificar quantas horas são necessárias para executar determinada rotina financeira ou processar pedidos para a produção e acompanhar como a automação altera esse cenário. Também pode avaliar outros indicadores, como a destinação do tempo dos colaboradores a atividades mais estratégicas e a melhoria da satisfação dos clientes.

A terceira fase, que considero a de maior potencial, é o redesenho dos processos empresariais. Nesse estágio, as organizações passam a estruturar suas operações considerando, desde o início, o trabalho conjunto entre pessoas e agentes de IA. Isso abre espaço para ganhos de produtividade ainda mais expressivos, porque não se trata apenas de automatizar tarefas existentes, mas de repensar a própria maneira como o trabalho é realizado.

Quais são os próximos passos para a evolução da aplicação dos agentes de IA? O que as empresas podem esperar daqui para frente?

Ramon Martins: Nosso foco, neste momento, é utilizar o LYNN para ajudar as empresas a destravar ganhos de produtividade por meio dos agentes de IA. Queremos contribuir para que elas transformem a adoção da tecnologia em resultados concretos para o negócio.

Em um segundo momento, à medida que as organizações começarem a perceber e mensurar esses ganhos, o próximo passo será ajudá-las a repensar seus processos. A produtividade pode avançar ainda mais quando as empresas deixam de apenas automatizar etapas e passam a redesenhar suas operações para que pessoas e agentes de IA trabalhem de maneira integrada.

O LYNN consegue se integrar a sistemas que não fazem parte do ecossistema da TOTVS?

Ramon Martins: Sim. O LYNN é uma peça central para conectar a Inteligência Artificial ao ecossistema da TOTVS, mas sabemos que os ambientes empresariais não são formados apenas por soluções de um único fornecedor. Por isso, a plataforma tem o objetivo de conectar a IA aos sistemas e às aplicações que fazem parte da realidade de cada cliente.

Para viabilizar essas integrações, utilizamos protocolos que permitem uma comunicação mais fluida entre os sistemas e ajudam os agentes a obter o contexto necessário para executar suas tarefas. Essa capacidade de integração é importante para que a IA consiga atuar nos processos reais das empresas, considerando os sistemas que elas já utilizam em suas operações.

Pequenas e médias empresas podem aproveitar o LYNN sem precisar montar grandes equipes de ciência de dados ou de especialistas em IA? Como?

Ramon Martins: O LYNN foi concebido também pensando nas pequenas e médias empresas. Sabemos que a Inteligência Artificial precisa ser adotada para gerar produtividade, mas essa tecnologia deve estar disponível a um custo compatível com a realidade dos negócios brasileiros. Uma pequena ou média empresa nem sempre tem condições de montar uma equipe de especialistas, estruturar seus próprios projetos de IA e desenvolver toda a integração necessária. O LYNN ajuda a superar essa barreira ao empacotar capacidades e processos de negócio, tornando a tecnologia mais acessível.

Na prática, qual é a principal barreira que ainda impede as empresas de avançar na adoção da inteligência artificial?

Ramon Martins: A principal dificuldade é entender como começar e conectar a IA ao negócio. Muitas pessoas já utilizam essas ferramentas individualmente, seja para revisar um e-mail ou produzir um texto, mas levar essa experiência para dentro da operação empresarial é um desafio diferente. As empresas precisam compreender como integrar a tecnologia aos sistemas que já utilizam, como aplicá-la aos processos e como fazer isso com custos e esforços de implementação adequados à sua realidade.

É justamente nesse ponto que as soluções construídas com o LYNN podem ajudar, de modo a tornar essa adoção mais prática e acessível. Costumamos dizer que temos uma ambição muito clara: sermos o trusted advisor, ou conselheiro de confiança, das empresas. Esse papel se torna ainda mais importante em um cenário no qual surgem continuamente novos modelos e possibilidades tecnológicas.

Hoje, o desafio não é apenas ter acesso à IA, mas saber por onde começar, quais tecnologias utilizar e como conectá-las às necessidades reais do negócio. Queremos ajudar as empresas a encontrar esse caminho e transformar as possibilidades da inteligência artificial em resultados no dia a dia.