O Futurecom 2026 trouxe para o centro das discussões um tema cada vez mais relevante para o cotidiano dos brasileiros: as cidades inteligentes. Na atração FutureCities, realizada durante o evento, visitantes puderam conhecer de perto como tecnologias como Inteligência Artificial, IoT, 5G e computação em nuvem estão transformando a gestão urbana e a qualidade de vida nas metrópoles.
Em parceria com o Smart Sampa, o maior programa de monitoramento inteligente da América Latina, o FutureCities simulou uma cidade inteligente em escala reduzida, oferecendo uma experiência imersiva onde o público pôde interagir com tecnologias reais em funcionamento e compreender como essas soluções estão redefinindo mobilidade, segurança, energia, sustentabilidade e serviços públicos.
Smart Sampa: tecnologia a serviço da segurança urbana
O destaque da atração ficou por conta do Smart Sampa, programa desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo que já conta com mais de 50 mil câmeras monitoradas na capital paulista. O subinspetor Rogério Oliveira, da Guarda Civil Metropolitana, explicou que o sistema vai muito além do combate à criminalidade.
“O cidadão, pelas propagandas que passam na televisão, entende que nós só temos câmeras especializadas em deter crimes, mas tem outros tipos de apoio à população, que é principalmente no descarte irregular de entulho, e atuando juntamente com o PSIU”, destacou Rogério.
O programa utiliza algoritmos avançados de Inteligência Artificial capazes de gerar alertas para identificar intrusões, vandalismo, furtos e reconhecer placas de veículos furtados ou roubados. O sistema de reconhecimento facial também auxilia na localização de pessoas desaparecidas e foragidos da Justiça.
Segundo Rogério, o Smart Sampa é pioneiro no Brasil e foi inspirado em sistemas de reconhecimento facial utilizados na China. “A empresa que ganhou a licitação foi a SentinelX, e a SentinelX fez a interface o mais similar possível”, explicou o subinspetor, acrescentando que São Caetano do Sul já adotou modelo semelhante com o Smart Sanca.
Em questão de privacidade, o subinspetor indicou que a população pode conhecer mais do programa através do site ou do aplicativo oficial, onde constam os termos de segurança e LGPD. Por esses canais, o cidadão também pode atuar consultando placas de automóveis e fazendo denúncias.
Tecnologias integradas: drones e robôs no monitoramento urbano

Outro destaque do FutureCities foi a apresentação das tecnologias geospaciais utilizadas pela Guarda Civil Metropolitana. O GCM Odilon, membro da divisão de Tecnologias Geospaciais (Dronepol), apresentou o SmartDog, um cão-robô 100% integrado ao Smart Sampa.
“Ele tem um microcomputador com uma câmera que é integrada ao Smart Sampa. Ele faz a transmissão ao vivo para a central e lá processa os dados para o reconhecimento facial. A gente o utiliza em grandes eventos, com multidão”, explicou Odilon.
O Dronepol, programa criado em 2017, conta atualmente com uma frota de 27 aeronaves de diversos modelos. Tanto os drones quanto o cão-robô são utilizados em grandes eventos como carnaval, virada de ano e virada cultural, sempre com a presença de um operador e um observador, conforme protocolos da divisão e recomendações da aeronáutica.
A conectividade dos equipamentos é garantida por meio de VPN, garantindo que os dados não trafeguem publicamente na internet. “É um tunelamento que as informações passam para o central de Smart Sampa e lá processam os dados”, detalhou o GCM.
Inovação para indústrias de todos os portes
O FutureCities também apresentou iniciativas voltadas para a transformação digital da indústria brasileira. Cristiane Silva, analista de inovação da Agência Inova, compartilhou os resultados do primeiro Desafio Brasileiro de Inteligência Artificial, promovido em parceria com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e o MDIC, que conectou problemas reais de indústrias com solucionadores de IA de todo o país.
“Indústrias do Brasil inteiro, de todos os portes, todos os segmentos, se cadastraram na plataforma e solucionadores de Inteligência Artificial se cadastraram também para resolver possíveis problemas dessas indústrias”, contou Cristiane. O desafio premiou 22 projetos, cada um recebendo 50 mil reais para colocar as propostas em produção.
A analista destacou que o maior desafio não é o receio da tecnologia, mas o desconhecimento, especialmente entre pequenas indústrias. “Quando você vai numa indústria pequena, eles ainda estão com muito processo manual, não têm processo ainda descrito. Então, não é nem um receio, é por conta de conhecimento”, explicou.
A plataforma permanece aberta para que novas indústrias continuem postando suas demandas e solucionadores possam propor inovações, fomentando a adoção de Inteligência Artificial em diferentes setores da economia brasileira.
O futuro das cidades inteligentes
O mercado global de Smart Cities está em rápida expansão. Estimado em US$1 trilhão em 2025, o setor pode alcançar US$ 8,8 trilhões até 2033, impulsionado pela urbanização acelerada e pelo avanço de tecnologias como IA, IoT, 5G e computação em nuvem.
O FutureCities demonstrou que o Brasil está inserido nesse movimento global, com iniciativas concretas que já transformam a realidade das cidades brasileiras. Mais do que uma área de exposição, a atração se consolidou como uma vitrine viva da cidade do futuro, conectando inovação e negócios em uma experiência imersiva.
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