Na Arena Esportes & Entretenimento do Futurecom 2026, um dos painéis apresentados foi “Estádios, Redes Privativas e 5.5G: Oportunidades e Desafios”. Explorando principalmente o universo das partidas de futebol, os participantes destacaram o que já existe em infraestrutura digital, e o que ainda pode melhorar. 

Quem mediou esse encontro foi Eduardo Tude, fundador e CEO da Teleco. Participaram também Leonardo Lago Araújo, Gerente da Anatel/SE; Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo; e Marcio de Luna, General Manager da Neo Química Arena. 

Com visões distintas sobre como as redes são utilizadas, tanto no operacional do estádio como na transmissão para televisão e internet, os painelistas também trouxeram casos de sucesso e perspectivas sobre oportunidades, até destacando a Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA 2027. 

Confira os destaques do painel a seguir. 

Case de produção remota com 5G 

Carolina Duca revelou que a Globo está há três anos trabalhando na implementação de 5G para transmissões esportivas. O objetivo é ambicioso: transformar a produção de jogos em um modelo “plug and play”. 

“Qual era o nosso sonho? Chegar no dia do evento, se eu vou fazer uma transmissão de futebol às quatro horas da tarde, chego de manhã com o carro e já tenho uma infraestrutura toda montada”, explicou Carolina. 

Tradicionalmente, montar uma transmissão de futebol exigia dois (ou mais) dias de antecedência. Caminhões, cabos, câmeras e equipes inteiras precisavam se deslocar até o estádio. Com o 5G, a promessa é eliminar essa complexidade. 

O Carnaval do Rio de Janeiro, outro grande evento com transmissão ao vivo, serviu como campo de testes. A Globo precisava reduzir custos operacionais pela metade e criou um modelo mais eficiente usando redes privativas 5G. O resultado foi positivo. A emissora conseguiu reduzir o tempo de montagem de um mês para uma semana, além de diminuir significativamente o número de pessoas no local. 

Desafios técnicos persistem 

Apesar dos avanços, Carolina foi transparente sobre as limitações atuais. Nos estádios, a equipe conseguiu operar apenas cinco câmeras em 5G simultaneamente, quando o ideal seria dez ou mais. 

Os desafios são tanto técnicos quanto financeiros. Cada câmera profissional exige uma taxa de transmissão de 35 Mbps. Com 18 câmeras em jogos premium, a demanda de banda se torna enorme. 

Outro obstáculo é o delay. Como algumas câmeras usam 5G e outras permanecem cabeadas, a sincronização precisa ser perfeita para evitar “saltos” na imagem durante os cortes. 

Estádios: infraestrutura ainda em evolução 

Marcio de Luna trouxe a perspectiva de quem administra um dos maiores estádios do país. A Neo Química Arena recebeu todos os principais eventos internacionais no Brasil: Copa do Mundo 2014, Copa América 2019 e os primeiros jogos da NFL na América Latina. Em breve, será palco também da Copa Feminina FIFA 2027. 

Ele destacou que os estádios brasileiros não foram construídos pensando em conectividade avançada. As melhorias vieram como “heranças” de grandes eventos. 

“Nós temos 2,5 milhões de reais de investimentos em fibra óptica que foram feitos na região. E que ficaram no estádio”, revelou Marcio sobre infraestrutura deixada pela NFL. 

Segurança e experiência do torcedor 

A Neo Química Arena possui 302 câmeras e implementou reconhecimento facial, conforme exigido pelo Estatuto do Torcedor para estádios com mais de 20 mil pessoas. 

O estádio tem capacidade para receber 25 mil pessoas em 10 minutos. Qualquer falha na rede pode gerar caos, com milhares de torcedores impedidos de entrar. 

Redes Privativas: solução para serviços críticos 

Leonardo Lago Araújo, da Anatel, defendeu que redes privativas são ideais para serviços essenciais dos estádios: segurança, câmeras, comunicação de equipes e controle de acesso. 

Ele destacou que o 5.5G traz funcionalidades como inteligência artificial para prever uso da rede, melhorando a eficiência espectral e permitindo experiências diferenciadas para torcedores VIP. 

Modelo compartilhado de redes 

Carolina sugeriu que estádios poderiam comercializar slices de suas redes privativas para emissoras, reduzindo custos. 

“Ficaria muito mais barato, para qualquer transmissão, contratar a infra do estádio por algumas horas”, propôs.  

Nesse ponto, o representante da Anatel destacou que a combinação de redes privativas, WiFi (que também é raro nos estádios) e redes públicas 4G e 5G é o melhor caminho para garantir conectividade, segurança e uma boa experiência para o torcedor, seja dentro do estádio ou acompanhando o jogo de casa. 

O futebol, produto analógico que sobreviveu à digitalização, agora abraça a hiperconectividade. E os estádios brasileiros correm para acompanhar essa transformação. 

Acompanhe a cobertura completa do Futurecom 2026.