O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, fez uma palestra marcante no Futurecom 2026, com um clima de despedida. “Provavelmente, esta será minha última apresentação como presidente da Anatel”, afirmou Baigorri, conferindo um caráter especial ao momento. Durante sua fala, ele ressaltou o papel de destaque do Brasil como referência global no setor de telecomunicações e abordou os desafios que o país ainda precisa superar para se consolidar como líder no ambiente digital.

Para ele, o país é hoje uma referência mundial em tecnologias como 5G e fibra ótica, sendo exemplo não apenas para a América Latina, mas também para regiões como Europa, África e Ásia. “Quando a gente pensa em competitividade no ambiente digital, o Brasil já fez grande parte do seu dever de casa”, declarou o presidente, ressaltando os avanços significativos do país na infraestrutura de telecomunicações.

Baigorri atribuiu esse sucesso a uma mudança de mentalidade regulatória ocorrida há cerca de 15 anos. “A virada de chave veio quando percebemos que era muito mais eficiente ter uma regulação baseada em incentivos, onde o principal estímulo é a promoção da concorrência, o aumento do mercado e a possibilidade de ganhar dinheiro”, explicou. Ele explicou que a criação de um ambiente competitivo foi essencial para o surgimento de novos operadores e para o desenvolvimento de um mercado dinâmico e vibrante.

O presidente da Anatel também comparou a situação do Brasil com a de outros países, como nações europeias que ainda enfrentam desafios para substituir redes de cobre por fibra ótica. “No Brasil, o cobre vale mais arrancado do chão e derretido do que prestando serviço. Isso porque temos redes de fibra tão populares e diversificadas que o mercado naturalmente fez essa transição”, afirmou.

Mesmo diante das conquistas, Baigorri afirmou que ainda há desafios a serem enfrentados, especialmente no que diz respeito a outras infraestruturas essenciais para o ecossistema digital, como data centers e energia elétrica.

 “O principal papel do Estado é não atrapalhar. A demanda por conectividade já existe, e, se reduzirmos os custos para atendê-la, o mercado vai responder”, pontuou.

Ao finalizar o painel, Baigorri fez questão de agradecer à equipe da Anatel e aos presentes, destacando o trabalho realizado pela agência ao longo de sua gestão. “Conseguimos criar as condições para que o mercado levasse conectividade a todo o país. Hoje, todos os municípios têm fibra ótica e 4G, e isso é um grande feito para um país com as dimensões e desafios do Brasil”, concluiu.