As cidades brasileiras começam a trilhar um caminho de transformação digital que vai muito além da automação de processos administrativos.

Vitória (ES) e São José do Rio Preto (SP) se destacam nesse movimento nacional de modernização urbana, mostrando como governança digital, integração de sistemas e gestão pública digital podem redefinir o modo de viver nas cidades.

Continue lendo e veja como essa mudança já está acontecendo em nosso país!

Governança digital como eixo da transformação urbana

A capital capixaba tem sido referência em governança digital no Brasil. Em 2024, Vitória foi reconhecida pelo Governo Federal como uma das cidades mais avançadas na digitalização de processos públicos. Ao todo, há mais de 90% dos serviços municipais disponíveis em plataformas online.

Do agendamento de consultas médicas à emissão de alvarás, a cidade transformou a relação entre cidadão e administração pública. Isso gera ganhos significativos, como a redução de filas em postos de saúde.

Essas iniciativas estão ancoradas em um ecossistema digital interconectado, que une infraestrutura tecnológica, dados urbanos e interoperabilidade entre secretarias.

Tal modelo reduz burocracias, amplia a transparência e facilita a tomada de decisões com base em evidências.

Vitória: tecnologia a serviço da sustentabilidade e da eficiência

Vitória avança no uso de sensores e plataformas integradas para acompanhar a infraestrutura urbana. A cidade opera sistemas de controle em tempo real para iluminação pública, drenagem e coleta de resíduos.

Ao mesmo passo, a gestão ambiental ganha apoio de ferramentas de georreferenciamento e de indicadores automáticos de qualidade do ar e da água, o que fortalece a formulação de políticas de sustentabilidade.

Essas iniciativas mostram como o uso articulado de dados urbanos e a interoperabilidade entre plataformas elevam a qualidade de vida.

A prefeitura, por meio do programa Vitória Inteligente, amplia parcerias com o setor privado, universidades e startups para acelerar a transformação digital.

Esse movimento vem acompanhado de resultados concretos. Vitória consolida sua posição como referência nacional ao alcançar o 1º lugar no Ranking Connected Smart Cities 2025, com nota 61,27, após ocupar o 2º lugar em 2024.

O planejamento urbano e tecnológico ganha solidez com a conclusão do Plano Diretor de Tecnologia para Cidades Inteligentes, finalizado em 14 de setembro de 2020.

Com tudo isso, Vitória se fortalece como exemplo de eficiência e resiliência, com serviços mais ágeis, respostas rápidas a ocorrências e gestão orientada por dados.

Rio Preto e o avanço da segurança e mobilidade conectada

No interior paulista, São José do Rio Preto segue por uma rota semelhante, concentrando esforços na segurança urbana e na mobilidade conectada.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o projeto Smart Rio Preto prevê a instalação de 3 mil câmeras inteligentes com recursos de inteligência artificial capazes de reconhecer placas e monitorar situações de risco.

Esses equipamentos se conectam a um centro de controle operacional que integra forças de segurança municipais e estaduais, além dos órgãos de trânsito.

A cidade também implantou um sistema de sincronização inteligente de semáforos, que ajusta automaticamente os tempos de abertura conforme o fluxo detectado. A medida reduz congestionamentos e contribui para a diminuição das emissões de CO₂.

O avanço recente do município reforça esse cenário. São José do Rio Preto saltou 39 posições no Ranking Connected Smart Cities, passando do 85º lugar em 2024 para o 46º em 2025, impulsionada principalmente pelos eixos de Segurança, com nota 81, e Telecomunicação, com 80. O município aparece ainda como o 8º mais desenvolvido do país segundo o IFDM 2025.

Em inovação pública, Rio Preto se tornará a primeira cidade brasileira a implantar três projetos totalmente integrados de smart city por meio de uma PPP, reunindo iluminação em LED, videomonitoramento inteligente e gestão de mobilidade.

A economia gerada pela substituição da iluminação tradicional por LED assegura a sustentabilidade financeira da parceria por 30 anos.

O dinamismo econômico também se destaca, com crescimento de 14,03% nas admissões formais em 2024 e R$ 260,17 milhões em investimentos privados anunciados no período.

A mobilidade conectada segue como uma das áreas mais promissoras das smart cities ao reunir dados em tempo real, análise preditiva e integração de sistemas para oferecer deslocamentos mais eficientes e seguros.

Dados urbanos e interoperabilidade: o novo combustível das cidades inteligentes

Tanto Vitória quanto Rio Preto mostram que o futuro da gestão pública digital depende da capacidade de integrar diferentes fontes de dados e sistemas em uma única rede inteligente.

A interoperabilidade permite que informações sobre mobilidade, segurança, meio ambiente e saúde pública sejam cruzadas em tempo real, um diferencial estratégico para prefeitos e gestores.

Dentro desse contexto, as plataformas de big data urbano, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) são apenas parte da equação.

O desafio está em garantir que a informação circule com segurança, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e que as ideias geradas se traduzam em políticas públicas efetivas.

PPPs e modelos de inovação aberta

A adoção de PPPs tem sido determinante para viabilizar financeiramente os projetos de transformação digital nas cidades.

Em Vitória, as parcerias com empresas privadas viabilizaram a digitalização de mais de 300 serviços municipais.

Já em Rio Preto, o modelo permitiu a expansão da rede de câmeras e a implementação do sistema de controle semafórico com custo reduzido para o município.

Esses casos reforçam a importância de modelos colaborativos de inovação, que unem setor público, empresas de tecnologia, universidades e sociedade civil.

É a partir desse ecossistema que surgem soluções mais escaláveis e adaptáveis à realidade de outras cidades médias brasileiras.

O aprendizado proporcionado por Vitória e Rio Preto

Com base em dados urbanos, interoperabilidade e foco no cidadão, Vitória e Rio Preto estão se tornando laboratórios de inovação governamental.

Enquanto Vitória aposta em eficiência administrativa e sustentabilidade, Rio Preto avança na mobilidade conectada e na segurança urbana.

Ambas provam que o caminho das cidades inteligentes passa pela integração de sistemas e pela visão de longo prazo.

Em meio a esse processo, os recursos digitais são apenas parte do processo. Afinal, a cidade inteligente é aquela que coloca o cidadão no centro. A tecnologia é o que permite isso, aproximando pessoas, serviços e decisões.

Smart Sampa: São Paulo também avança no uso de inteligência

O maior centro urbano do Brasil também avança e busca se tornar uma cidade inteligente.

Exemplo disso é o Smart Sampa, programa de modernização tecnológica da Prefeitura de São Paulo, criado em 2023 para ampliar a capacidade de monitoramento, integração de dados e gestão urbana.

A iniciativa reúne câmeras com reconhecimento facial, leitura automática de placas e sistemas que cruzam informações georreferenciadas de viaturas, motos e agentes da Guarda Civil Metropolitana.

O programa opera hoje com mais de 40 mil câmeras, públicas e privadas, e tem como meta chegar a 200 mil até 2028.

Dentro dessa expansão, a gestão planeja adquirir unidades avançadas produzidas pela Hikvision. Cada equipamento custa cerca de R$ 150 mil e será comprado pelo consórcio responsável pelo programa, com chegada prevista até o fim de novembro.

De acordo com o secretário municipal de Segurança Pública, Orlando Morando, os equipamentos terão alcance visual de até 20 quilômetros e capacidade de visão noturna. Ele afirma que os pontos de instalação não serão divulgados por motivos estratégicos.

O interesse por essa tecnologia ocorre no mesmo momento em que a Polícia Federal anuncia parceria para usar câmeras do Smart Sampa em investigações.

A trajetória de Vitória, Rio Preto e São Paulo mostra que a transformação digital urbana já deixou de ser uma tendência distante para se tornar um processo palpável no Brasil.

A combinação entre governança digital, uso inteligente de dados, modelos colaborativos de inovação e investimentos em infraestrutura tecnológica vem criando cidades mais seguras, eficientes e preparadas para desafios futuros.