A IBM revelou, nesta quinta-feira (25), um marco histórico no setor de semicondutores: a primeira tecnologia de chip com densidade equivalente a 0,7 nanômetros. Em um momento em que a inteligência artificial demanda plataformas cada vez mais avançadas, a novidade promete grandes avanços em performance e eficiência energética.
No entanto, há detalhes importantes a serem esclarecidos. Embora o anúncio mencione estruturas no nó de 7 angstroms (0,7 nanômetros), isso não significa que os componentes tenham dimensões reais tão pequenas. Na prática, a densidade dos transistores é que se assemelha a essa escala. Ainda assim, o feito é impressionante: a tecnologia permite integrar cerca de 100 bilhões de transistores em um chip do tamanho de uma unha humana. Para comparação, a tecnologia de 2 nanômetros, apresentada pela IBM em 2021, comporta 50 bilhões de transistores.
Limites Físicos e a Inovação
A indústria de semicondutores há anos não utiliza mais o termo “nanômetros” como medida literal das dimensões dos transistores. Isso ocorre porque, fisicamente, é quase impossível construir chips com menos de 1 nanômetro. Um átomo, por exemplo, mede cerca de 0,5 nanômetros, o que torna inviável criar estruturas menores sem que ocorram interações indesejadas com elétrons, comprometendo o funcionamento.
Para superar essas limitações, a IBM desenvolveu uma arquitetura inovadora chamada “Nanostack”, que utiliza o empilhamento vertical de transistores. Nesse modelo, os transistores são posicionados um sobre o outro, ocupando a mesma base e sendo envolvidos por folhas de silício ultrafinas.
Essa abordagem dobra a densidade de transistores sem reduzir o tamanho das estruturas, resultando em um salto de até 50% na capacidade computacional e uma eficiência energética 70% maior. Além disso, a velocidade das memórias SRAM integradas nos chips aumentou em até 40%, otimizando a comunicação entre os componentes.
Vale ressaltar que , apesar do avanço, a IBM não fabrica semicondutores, apenas desenvolve a tecnologia. Por isso, ainda não há previsão de quando os chips de 0,7 nanômetros estarão disponíveis no mercado.
A expectativa é que a inovação seja adotada em aplicações de computação profissional, mas detalhes sobre o empacotamento e a produção em larga escala ainda não foram divulgados.