O avanço da Inteligência Artificial Generativa tem transformado profundamente o cenário da segurança digital. Empresas de diferentes setores já utilizam algoritmos inteligentes para automatizar processos, detectar ameaças e otimizar operações. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o uso indevido dessas ferramentas por cibercriminosos, que exploram a mesma tecnologia para sofisticar ataques. Nesse contexto, o fator humano permanece como peça-chave: é o olhar crítico das pessoas que garante que a inovação seja aplicada de forma responsável e estratégica.
Esse equilíbrio entre tecnologia e responsabilidade foi tema de debate durante a 30ª edição do Futurecom, em um painel mediado por Eduardo Paranhos, Head do Comitê de Inteligência Artificial da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). A discussão reuniu especialistas de grandes empresas para refletir sobre como alinhar inovação e segurança em um ambiente digital cada vez mais dinâmico e desafiador.
Dependência crescente da IA
A utilização da IA já faz parte da rotina de indivíduos e empresas em todo o mundo, seja em tarefas profissionais ou pessoais. No entanto, especialistas alertam para os riscos de confiar cegamente nos algoritmos. Amanda Pereira, Gerente de Tecnologia e Especialista em IA da Cyber Solutions, destacou que a capacitação contínua das equipes é essencial para manter o senso crítico e evitar que a tecnologia se torne uma vulnerabilidade explorada por cibercriminosos.
IA no mercado transacional e nos ataques
Valter Andrade, Diretor de Data Science da Visa, e Eduardo Migotto, Superintendente Executivo de Produtos e Tecnologia da Cielo, ressaltaram que a IA já é amplamente utilizada em setores como o mercado transacional e o atendimento ao cliente. Contudo, o mesmo recurso também está nas mãos de cibercriminosos, que utilizam ferramentas generativas para sofisticar ataques. “Temos que estar constantemente atentos aos dois lados”, reforçou Rodrigo Picada, Gerente de Projetos da John Deere Brasil.
O papel insubstituível das pessoas
Embora a IA seja uma aliada poderosa na prevenção e detecção de ameaças, os especialistas enfatizaram que o fator humano continua sendo a camada mais forte da segurança digital. Amanda Pereira lembrou que “a IA aprende e reproduz a partir do que as pessoas dizem, escrevem e postam”, reforçando a importância de treinamentos de conscientização digital. Migotto acrescentou que, em áreas como cibersegurança, não há como retirar as pessoas da equação.
O debate deixou claro que o futuro da cibersegurança depende da sinergia entre pessoas e máquinas. A IA Generativa amplia as possibilidades de defesa, mas seu uso responsável exige o olhar humano questionador, capaz de analisar e decidir. Em um mundo cada vez mais automatizado, a inteligência mais valiosa continua sendo a humana.