No Brasil, os AGVs (Veículos Guiados Automatizados) são amplamente utilizados em setores como automotivo, bebidas, eletroeletrônicos e logística, otimizando o transporte de materiais e aumentando a eficiência operacional.

Empresas de grande porte, como montadoras de veículos e indústrias de bens de consumo, têm adotado essa tecnologia para automatizar processos produtivos, reduzir custos operacionais e melhorar a segurança no trabalho. Além disso, os AGVs são aplicados em armazéns, hospitais e até na agricultura, destacando sua versatilidade e impacto na modernização da logística industrial.

Trata-se de uma forma moderna, econômica e segura de gerir a distribuição no ambiente de produção com o escalonamento, por exemplo, da automação flexível.

Paralelamente à incorporação de novas tecnologias, cresce a necessidade de profissionais qualificados capazes de implementar e gerenciar, operar, interpretar e aprimorar essas soluções.  

Um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que, em economias avançadas, uma em cada 10 vagas já exige competências antes pouco comuns, como conhecimentos em tecnologia da informação e análise de dados. Nos mercados emergentes, como o Brasil, essa tendência também avança rapidamente, com uma em cada 20 vagas demandando pelo menos uma nova habilidade.

O estudo destaca ainda que países como Brasil, México e Suécia enfrentam um descompasso crescente entre a alta demanda por profissionais qualificados e a limitada oferta de mão de obra preparada para atender às exigências do mercado.

Pensando nessa deficiência, o Senai Paraná – em parceria com a Selettra Automação e Robótica e o Habitat Mobilidade – ecossistema de inovação da indústria voltado a soluções para o setor de mobilidade, criou um curso de robótica móvel industrial para suprir demanda crescente do mercado.

O curso surgiu a partir de uma necessidade concreta do mercado: a escassez de profissionais preparados para atuar na área de robótica móvel industrial. Com o crescimento da automação em linhas de produção e ambientes logísticos, empresas têm enfrentado dificuldades para encontrar mão de obra especializada em operação, programação e manutenção desses sistemas. O objetivo é preparar profissionais para atuar com AGVs (Automated Guided Vehicles) e AMRs (Autonomous Mobile Robots), tecnologias cada vez mais presentes na indústria e na logística.

Como funciona um AGV?

Os AGVs são robôs de transporte de carga que operam de forma autônoma, sem a necessidade de um operador humano a bordo. Eles utilizam diversos sistemas de navegação (lasers, sensores, fitas magnéticas ou visão computacional) para se moverem em rotas pré-definidas ou dinâmicas dentro de ambientes controlados, como fábricas, armazéns e hospitais.

A principal função desses veículos é a manipulação de produtos e materiais, automatizando o fluxo logístico e de produção ao transportar itens entre diferentes pontos, como linhas de montagem, áreas de estoque ou estações de embalagem. Com isso, os AGVs aumentam a eficiência, a segurança e a rastreabilidade das operações internas.

Segundo Samuel Luiz Bim, Gerente de Engenharia da Selettra, diversos pontos podem ser destacados para explicar a importância dos AGVs dentro do espectro industrial.

Ele ressalta desde melhorias na segurança e ergonomia de processos até a redução de investimentos em infraestrutura dedicada. “Os custos de implantação são muito reduzidos e, de fato, não só a logística é atendida, mas também o contexto produtivo, tendo em vista que os veículos podem tornar-se a linha de produção de montagem”, explica.

Tem também a questão da segurança, pois muitos processos podem oferecer certos riscos ao profissional envolvido no respectivo trabalho. “Quando o AGV é aplicado, esse risco vai a, praticamente, zero”.

Qual a diferença entre AGVs e AMRs?

Não confunda AGV com AMR. Os AGVs, conforme supracitado, são veículos guiados automatizados, ao passo em que os AMRs são robôs móveis autônomos (Autonomous Mobile Robots).

Os AMRs utilizam sensores e processadores integrados para a movimentação dos materiais, de forma autônoma e sem a necessidade de guias físicos ou qualquer outro marcador.

A principal diferença entre ambos está na redução da necessidade de infraestrutura para a instalação. O porta-voz da Selettra explica que “os AMRs são considerados robôs com capacidade de se localizarem dentro de um ambiente sem a necessidade de nenhuma infra adicional. Já os AGVs precisam de um caminho para seguir”.

Os AMRs podem, inclusive, desviar de obstáculos dentro do ambiente industrial, o que proporciona ganhos, além da capacidade de se escolher novas rotas de forma autônoma.

Por sua vez, os AGVs apresentam mais precisão e repetibilidade como principal vantagem, cuja aplicação no ambiente industrial é super recomendada justamente por essas duas características.

Com relação à manutenção, os AMRs necessitam de acompanhamento preventivo e de desgaste natural, enquanto os AGVs demandam de supervisão e trocas das fitas e tags.

Exemplos de aplicação dos Automated Guided Vehicles

Os AGVs podem substituir as empilhadeiras que são operadas manualmente no gerenciamento de tarefas repetitivas de manuseio de materiais. Esses veículos são capazes de operar 24 horas, por dias, sem a intervenção humana e ainda agilizam significativamente o transporte de produtos, além da remoção dos gargalos e maior previsibilidade na estratégia de logística.

Alguns exemplos de aplicação dos AGVs incluem: recebimento de materiais e produtos, transporte de um setor para o outro, separação de materiais e expedição, movimentação a longa distância, transporte na produção e no final da linha, bem como carregamento e descarregamento.

Qual é a regulamentação que rege os AGVs no Brasil?

Não existe uma legislação específica e abrangente no Brasil que regule a operação de Automated Guided Vehicles (AGVs) em ambientes industriais e logísticos. No entanto, a operação desses veículos deve seguir as normas de segurança e saúde no trabalho já existentes, principalmente a NR 12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos).

Essa norma estabelece requisitos mínimos para prevenir acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e utilização de máquinas, o que se aplica diretamente aos AGVs. A NR 12 aborda aspectos como sistemas de segurança, sinalização, dispositivos de parada de emergência e treinamento de operadores.

Além disso, as empresas devem considerar as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e as recomendações de fabricantes internacionais, que servem como diretrizes importantes para garantir a segurança, a interoperabilidade e o desempenho dos AGVs.