O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) representa a principal estratégia nacional para posicionar o Brasil no cenário global da inovação digital. Publicado em versão final em junho de 2025, o documento prevê R$23 bilhões em investimentos até 2028, distribuídos em cinco eixos: infraestrutura e pesquisa, capacitação profissional, aplicação da IA no serviço público, uso na indústria e regulação e governança.
O plano é uma evolução da Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), lançada em 2021, e busca corrigir lacunas como a ausência de um programa de investimentos estruturados.
Flexibilidade e governança
Durante o Futurecom, Eliana Emediato, coordenadora de Governança Digital do MCTI, destacou que o PBIA nasceu de um pedido direto da Presidência da República e se estrutura em cinco eixos: infraestrutura e pesquisa, capacitação profissional, aplicação da IA no serviço público, uso na indústria e regulação e governança.
Ela lembrou que o EBIA trouxe avanços, mas não contemplava investimentos. “Agora estamos no momento de execução, organizando governança e já revendo ações do PBIA original, porque se tratando de IA, um ano atrás já é muito tempo”, afirmou.

Regulação e o papel da Anatel
O painel também contou com a participação de Gustavo Nery, CIO da Anatel, que ressaltou o papel da agência na construção de um ecossistema digital mais robusto. Para ele, a regulação deve funcionar como princípios gerais, evitando engessamento.
“Sempre trabalhamos em espírito colaborativo com a administração pública, e a regulação precisa seguir a mesma lógica”, disse.
Nery destacou ainda que a Anatel desenvolve estudos em parceria com universidades como UnB, UFRJ e ITA para aplicar IA às telecomunicações, reforçando que o esforço é conjunto e de longo prazo.
Formação de profissionais
Carlos Nazareth Motta, diretor do Inatel e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, chamou atenção para a necessidade de investir em pessoas, além da infraestrutura. Segundo ele, supercomputadores e soluções de HPC só têm impacto real quando operados por profissionais capacitados.
“A formação leva mais tempo, e precisamos de talentos que identifiquem gargalos e atendam os setores mais estratégicos da economia brasileira”, destacou.
O debate, mediado por Luis Fernando Prado, consultor da Associação Brasileira de Inteligência Artificial, e que contou também com Andriei Gutierrez (Abes) e Affonso Nina (Brasscom), reforçou que o PBIA é mais do que um plano de investimentos: trata-se de uma estratégia nacional que exige infraestrutura robusta, regulação adaptável e capacitação contínua.
Em um cenário de rápida evolução tecnológica, o Brasil busca consolidar sua posição como protagonista global em Inteligência Artificial, equilibrando inovação com governança responsável e formação de talentos.