A infraestrutura digital dos estados do Pará e do Maranhão deu um passo importante com a instalação de unidades de derivação submarinas, que permitirão a futura conexão de cabos ópticos de alta capacidade à rede global de comunicação. A iniciativa faz parte do projeto Lum@link, uma extensão do sistema EllaLink, que conecta diretamente a América Latina à Europa por meio de cabos submarinos de fibra óptica.
As unidades de derivação, instaladas no fundo do mar, foram projetadas e implementadas pela Alcatel Submarine Networks (ASN). Elas permitirão a criação de ramificações para Salinópolis (Pará) e São Luís (Maranhão), conectando os dois estados ao sistema principal da EllaLink, que já opera entre Fortaleza, Caiena (Guiana Francesa) e Sines (Portugal).
A instalação dessas unidades representa um marco estratégico para a conectividade da região amazônica. Historicamente, os estados do Pará e do Maranhão dependem de longas e instáveis rotas terrestres para acessar as portas de comunicação internacional do Brasil. Com as novas ramificações, os estados terão pontos de aterragem submarinos dedicados, garantindo maior capacidade e resiliência na transmissão de dados.
Cada ramificação terá uma capacidade inicial combinada de 17 Tbps, com possibilidade de expansão futura. Além de melhorar a largura de banda, o projeto busca ampliar o acesso à internet em comunidades isoladas e fortalecer serviços públicos digitais em áreas como saúde, educação e governo eletrônico.
Parcerias e financiamento internacional
O projeto é financiado pelos governos do Pará e do Maranhão, com recursos não reembolsáveis da União Europeia, além de cofinanciamento do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Grupo Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
A ramificação para São Luís está sendo desenvolvida em parceria com a Agência Estadual de Tecnologia da Informação do Maranhão (ATI), enquanto a ramificação para Salinópolis conta com a colaboração da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (PRODEPA).
Além disso, o programa inclui a instalação de sensores SMART, que coletarão dados ambientais e sísmicos para apoiar iniciativas de monitoramento climático e científico, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a inovação tecnológica.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, destacou a relevância do projeto para o desenvolvimento econômico e social do estado. “Estamos investindo em conectividade de alta velocidade, infraestrutura de fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital. Este é um projeto que moderniza o Estado, fortalece nossa economia e cria as condições para atrair investimentos e gerar novas oportunidades. Queremos um Maranhão mais conectado, mais competitivo e, acima de tudo, um estado onde a tecnologia ajude a reduzir as desigualdades e melhorar a vida da nossa população”, afirmou.
Próximos passos
O projeto, que inclui a instalação das unidades de derivação, está em fase avançada e deve entrar em operação até o final de 2026. A extensão de aproximadamente 2.100 km conectará a nova estação de aterragem de cabos em Caiena ao sistema principal da EllaLink, ao largo de Fortaleza, criando uma conexão óptica direta entre Caiena, Fortaleza e Sines.
O CEO do Grupo EllaLink, Philippe Dumont, ressaltou a importância das unidades de derivação para o futuro da conectividade na região. “A instalação dessas unidades é um marco decisivo. Elas constituem a base física das futuras conexões com Salinópolis e São Luís. Desde sua criação, o sistema EllaLink foi projetado para incorporar novos mercados gradualmente, e é exatamente para isso que esse projeto foi concebido”, concluiu.