Em 2023, o ChatGPT chamou atenção pela capacidade de gerar textos, responder perguntas e automatizar tarefas intelectuais. A tecnologia parecia quase mágica. Em 2026, esse encantamento deu lugar a uma pergunta mais pragmática: como usar inteligência artificial de forma segura, integrada e escalável dentro das empresas?
Hoje, o desafio não é apenas produtividade. O crescimento do Shadow AI, quando colaboradores usam ferramentas de IA sem homologação da TI, tornou-se um risco real.
Estudos do Work Trend Index, da Microsoft, já indicavam que a maioria dos profissionais utilizava IA no trabalho sem supervisão formal, expondo dados sensíveis e processos críticos.
Para entender esse cenário, o Futurecom Digital conversou com Bruno Baio, diretor de operações da Botmaker no Brasil, empresa especializada na criação e gestão de bots para vendas, atendimento ao cliente e suporte interno. Segundo ele, a discussão evoluiu: não se trata mais de “qual IA é mais inteligente”, mas de qual faz sentido para a infraestrutura da empresa.

O que mudou na IA corporativa?
As empresas deixaram de buscar respostas genéricas em interfaces públicas, e passaram a demandar uma integração com sistemas internos, como ERPs, CRMs e bases documentais, mantendo controle total sobre dados e fluxos.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial (IA) evolui de simples chatbots para agentes integrados, capazes de executar tarefas, consultar fontes internas e atuar com base em RAG (Retrieval-Augmented Generation). A inteligência não vem apenas do modelo, mas da conexão com dados confiáveis da própria organização.
Segundo Baio, “o ChatGPT é um algoritmo baseado em inteligência artificial criado pelo laboratório de pesquisas em inteligência artificial Open AI, com o objetivo de proporcionar uma melhor experiência em diálogos virtuais.”
O especialista destaca que o software “é alimentado por uma base de dados coletada na internet, o que significa que suas respostas são baseadas nas informações disponíveis na rede.”
Bruno Baio observa ainda que a ferramenta que se tornou alvo de polêmicas e discussões sobre as relações entre Inteligência Artificial e humanos foi criada com base em redes neurais e machine learning (aprendizado de máquina), o que a torna adaptada ao aprendizado.

Saiba mais: Inteligência artificial e segurança de dados: uma nova perspectiva corporativa
O que o ChatGPT pode fazer pelas empresas?
Desde que ganhou a mídia e os posts das redes sociais, o ChatGPT passou a ser utilizado para diversos fins, gerando resultados curiosos, engraçados e surpreendentes. Mas como ele pode ser usado nos negócios de forma assertiva?
“Graças à sua arquitetura baseada em uma rede neural chamada Transformer, o ChatGPT é capaz de prestar atenção nas palavras-chave, no contexto e nos diferentes significados das palavras, o que o torna uma opção avançada de geração de texto”, reflete Baio.
Ele comenta que a ferramenta pode ser usada em ações como atendimento aos clientes, possibilitando que respostas de bots empresariais sejam mais personalizadas e eficientes ao que eles buscam. Baio complementa:
“A integração do ChatGPT à soluções de Conversational AI, como a Botmaker, pode ser uma excelente oportunidade de negócio, pois permite que as empresas criem chatbots mais avançados e eficazes. Com a ajuda do ChatGPT, os bots podem gerar respostas mais precisas e naturais, tornando a experiência mais satisfatória.”
Ainda segundo o especialista, “o ChatGPT pode ser uma solução poderosa para as empresas que buscam melhorar suas experiências com os clientes, reduzir a intervenção humana em processos e aumentar a eficiência em diferentes áreas.”
Ele continua: “Com sua capacidade de gerar textos criativos e personalizados, o ChatGPT pode ser uma ferramenta valiosa para as empresas que buscam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.”
Veja também: Aplicações da inteligência artificial na indústria e seus benefícios
Qual o impacto e as limitações do ChatGPT para empresas?
Se por um lado o ChatGPT pode trazer uma automatização de textos bem escritos e eficientes, por outro ele também pode não ser 100% confiável, o que demanda a supervisão e a interação com humanos para melhor uso da plataforma.
“O ChatGPT tem limitações em entender o contexto completo de uma conversa ou tarefa e pode ter dificuldade em entender aspectos da linguagem humana, como sarcasmo e ironia”, analisa Baio.
Segundo ele, “apesar dessas limitações, com a programação correta, o ChatGPT pode ser uma ferramenta valiosa para empresas que buscam melhorar a experiência do cliente e automatizar processos.”
4 pilares para escolher a IA corporativa ideal
Antes de comparar ferramentas ou fornecedores, é essencial entender os critérios estruturais que realmente impactam a adoção, a segurança e o retorno sobre o investimento (ROI) da inteligência artificial nas empresas.
1. Governança e soberania de dados
Ao usar modelos públicos, existe o risco de informações corporativas sensíveis serem processadas fora do controle da empresa. Por isso, conformidade com LGPD, SOC2 e políticas claras de retenção de dados se tornaram requisitos básicos.
Muitas plataformas já oferecem opções em Private Cloud ou VPCs dedicadas na AWS ou Azure, algo essencial para setores regulados.
Como reforça Bruno Baio, “é importante usar o modelo de maneira responsável e consciente de suas limitações”, especialmente quando o objetivo é reduzir a intervenção humana sem comprometer a segurança.
2. Ecossistema vs. ferramenta isolada
Em 2026, a escolha não é apenas entre modelos, mas entre ecossistemas. Soluções como Microsoft Copilot e Google Gemini Enterprise ganham força por estarem integradas nativamente às suítes de produtividade já usadas pelas empresas.
Essa integração reduz o atrito de adoção, simplifica a governança e acelera o retorno sobre investimento, algo difícil de alcançar com ferramentas isoladas.

3. Janela de contexto e profundidade técnica
A chamada context window define quanto conteúdo a IA consegue analisar de uma só vez. Para executivos, isso significa ler contratos longos, bases de código legadas ou grandes volumes de logs técnicos.
Modelos como o Gemini Enterprise se destacam pela capacidade de processar milhões de tokens, enquanto o GPT-4o e o Claude 3.5 Sonnet equilibram contexto e raciocínio lógico.
Aqui entra um ponto já destacado por Baio no conteúdo original: “é importante avaliar criticamente as respostas oferecidas pelo algoritmo”. Em 2026, isso se traduz no uso de RAG, conectando a IA aos documentos internos da empresa.
4. Custo Total de Propriedade (TCO)
Nem toda tarefa exige um modelo de ponta. Modelos mais leves, como versões Flash ou Haiku, são mais econômicos e eficientes para demandas simples.
Escolher o modelo errado para cada tarefa pode inflar custos via API, especialmente quando se trabalha com grande volume de tokens. Avaliar o TCO vai além da assinatura, e envolve consumo, escalabilidade e eficiência operacional.
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As principais alternativas ao ChatGPT para empresas
Embora a OpenAI tenha iniciado a revolução, o mercado corporativo amadureceu, e depender de um único fornecedor tornou-se um risco estratégico. Hoje, a tendência é priorizar ferramentas que ofereçam segurança, especialização e a melhor integração para cada departamento, em vez de apenas inteligência genérica.
Diferentes IAs agora competem com vantagens distintas, superando o ChatGPT em nichos específicos como raciocínio lógico avançado ou conexão nativa com suítes de produtividade. Com base nos pilares de governança e eficiência, existem alternativas que realmente se destacam no ambiente empresarial atual.
Anthropic Claude 3.5 Sonnet
Muito adotado por desenvolvedores, o Claude 3.5 Sonnet se destaca na análise de código e dados complexos. Seu raciocínio lógico é consistente e o modelo tende a respostas menos genéricas.
É uma escolha frequente para equipes técnicas que precisam de precisão e interpretação profunda.

Google Gemini Enterprise
O Gemini Enterprise chama atenção pela janela de contexto ampliada e integração direta com Google Drive, Docs e Workspace.
É indicado para auditorias documentais, análise multimodal de áudio e vídeo e processamento de grandes volumes de informação.
Microsoft Copilot
Considerado o padrão corporativo em muitas organizações, o Copilot se integra ao Microsoft 365 e oferece Commercial Data Protection, garantindo que os dados da empresa não sejam usados para treinar modelos públicos.
É ideal para ambientes já consolidados no ecossistema Azure e Office.
Perplexity Enterprise
O Perplexity Enterprise propõe uma nova forma de pesquisa corporativa. Ele combina IA generativa com citações verificáveis, sendo útil para inteligência de mercado e tomada de decisão baseada em fontes confiáveis.
Saiba mais: O uso da inteligência artificial nas vendas e atendimento ao cliente
Alternativas open source e o futuro da IA corporativa
Modelos de código aberto, como o Llama (Meta) e o Mistral, estão redefinindo a estratégia de TI ao oferecerem uma alternativa robusta às Big Techs. Ao contrário das APIs pagas, esses modelos permitem execução local ou em nuvem privada, o que anula o risco de dados sensíveis transitarem por servidores de terceiros.
Para empresas com maior maturidade técnica, essa rota oferece dois diferenciais competitivos imbatíveis:
- Customização profunda (Fine-tuning): em vez de usar uma IA genérica, a empresa pode treinar o modelo especificamente com seu vocabulário e processos internos, criando uma ferramenta especialista muito mais assertiva.
- Controle de custos: rodar modelos abertos on-premise transforma o custo variável por token em um custo fixo de infraestrutura, tornando a operação escalável e previsível a longo prazo.
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Quadro comparativo: alternativas de IA para empresas
Com a popularização da inteligência artificial no ambiente corporativo, surgem diferentes caminhos para adoção, desde ferramentas públicas até soluções corporativas com governança e segurança.
Para ajudar na tomada de decisão, o quadro comparativo a seguir apresenta alternativas de IA para empresas, destacando diferenças em controle, privacidade, integração e riscos envolvidos.
| Modelo | Janela de Contexto | Foco Principal | Segurança Corporativa |
|---|---|---|---|
| Claude 3.5 Sonnet | Alta | Código e análise | LGPD / SOC2 |
| Gemini Enterprise | Muito alta | Documentos e multimodal | LGPD / Cloud Security |
| Microsoft Copilot | Alta | Produtividade corporativa | Commercial Data Protection |
| Perplexity Enterprise | Média | Pesquisa com fontes | Governança corporativa |
Entenda: Pensamento crítico: o superpoder estratégico na era da IA
Qual IA contratar para sua equipe?
A resposta depende do perfil da organização:
- Equipes de desenvolvimento: Claude 3.5 Sonnet ou GitHub Copilot.
- Times administrativos: Microsoft Copilot.
- Pesquisa e inovação: Gemini Enterprise ou Perplexity.
Mais do que substituir o ChatGPT, as empresas precisam escolher a IA certa para o seu ecossistema, com foco em segurança, integração e retorno financeiro.
Para ficar por dentro das alternativas ao ChatGPT para empresas e das principais tendências em conectividade e inovação tecnológica, continue acompanhando o Futurecom Digital, o canal de conteúdo da feira Futurecom.
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