Provavelmente você já sabe que Internet das Coisas (IoT) está colocando as indústrias em outro patamar, não é mesmo? 

Isso acontece pelo fato da tecnologia permitir que dispositivos se comuniquem e transmitam dados em tempo real. 

Mas como levar a IoT para regiões remotas, onde a conectividade tradicional é limitada ou inexistente? 

Marcelo Romera, diretor comercial no Brasil da Myriota, abordou o tema no podcast da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), garvado durante o Futurecom 2024. 

Ele explicou como soluções baseadas em satélites estão ampliando o alcance da IoT e impulsionando avanços em setores como energia, silvicultura e gestão ambiental. Acompanhe, a seguir, um resumo do bate-papo.

A IoT e a gestão de riscos climáticos

Com as mudanças climáticas, os desafios de infraestrutura em áreas remotas tornam-se mais críticos. 

“Na parte de IoT, agora a gente está com o fenômeno do clima mudando, existe uma preocupação muito grande com as torres”, explicou Romera. 

Segundo ele, essas estruturas foram projetadas para condições climáticas que estão se alterando, aumentando o risco de ventos fortes e queimadas.

“É importante monitorar as torres quanto à vibração, inclinação, e outros fatores que possam indicar que elas estão sob risco”, disse Romera.

Ele também destacou que: “Caso uma torre caia, ela pode causar um efeito dominó, puxando outras, o que seria prejudicial tanto para o setor elétrico quanto para a segurança local”.

A aplicação da IoT, nesse caso, permite o uso de sensores que enviam dados para satélites. 

Eles podem medir vibração e inclinação em tempo real, gerando alertas para ações preventivas. 

“Você define o tempo que quer transmitir, a frequência das informações. Pode consolidar dados e enviar alertas só quando necessário”, explicou Romera.

Soluções preditivas para o meio rural

Além de torres de transmissão, a IoT via satélite também está sendo usada para monitorar equipamentos e recursos no campo, como medidores de energia elétrica e sistemas de irrigação. 

“Hoje, em áreas rurais, é comum precisar mandar uma pessoa para fazer inspeções presenciais. Com IoT e conectividade via satélite, isso pode ser feito remotamente, tornando os processos mais eficientes”, disse Romera.

Ele também ressaltou a aplicação em ações preditivas, como o monitoramento de queimadas e outras ações voltadas para a cadeia do agronegócio.

“Você consegue coletar dados sobre umidade, incidência de sol e chuva, entre outros fatores, para antecipar riscos de incêndios florestais”, afirmou.

Na silvicultura, por exemplo, os sensores permitem acompanhar o crescimento de árvores e a saúde do solo. 

“Com dispositivos instalados no tronco, você pode monitorar remotamente o desenvolvimento das árvores e garantir que elas estão recebendo os nutrientes necessários para o crescimento ideal”, detalhou.

Constelações de satélites: o segredo da cobertura global

Para oferecer conectividade a essas regiões remotas, é necessário contar com constelações de satélites.

De acordo com o representante da Myriota, trata-se de um conjunto de satélites de baixa órbita que trabalham em conjunto para cobrir grandes áreas. 

“A analogia é como as estrelas que formam o Cruzeiro do Sul. Cada satélite compõe uma parte dessa constelação, permitindo uma cobertura ampla e contínua”, explicou Romera.

Os satélites, normalmente do tamanho de uma caixa de sapato, estão espaçados estrategicamente em órbitas baixas para garantir a eficiência do serviço. 

“Por serem pequenos, os nanosatélites oferecem uma solução mais acessível e prática para aplicações em IoT em comparação com satélites maiores”, complementou.

Um futuro conectado e eficiente

As possibilidades da IoT via satélite são amplas e impactam diretamente a produtividade e a segurança de setores estratégicos. Desde a prevenção de desastres naturais até a automação de processos no campo, a tecnologia está abrindo caminhos para soluções inovadoras.

“A IoT não é sobre a tecnologia em si, mas sobre resolver problemas. Tudo começa pela dor: qual o problema que precisa ser resolvido? Com base nisso, você constrói a solução”, concluiu Romera.

A conectividade via satélite promete ser uma das principais ferramentas para integrar áreas remotas à revolução digital

Com isso, a IoT se consolida como peça-chave para enfrentar desafios atuais e construir um futuro mais conectado, sustentável e eficiente.

Para saber mais, veja também o conteúdo que preparamos sobre o panorama do mercado nacional dos satélites de comunicação.