O Brasil foi destaque no relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026, divulgado pela Fortinet, empresa de cibersegurança. Segundo o estudo realizado pelo FortiGuard Labs, o país concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025, evidenciando que o cibercrime opera como um sistema organizado, com hackers atuando em todo o ciclo de vida dos ataques.
Entre os dados revelados, o Brasil registrou 187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares, um aumento de 535% em relação a 2024. Além disso, foram detectadas 89 milhões de ações relacionadas a botnets, que permitem o controle remoto de dispositivos infectados.
Na etapa de reconhecimento, o país contabilizou 5 bilhões de varreduras ativas, enquanto na fase de entrega foram identificadas 5 milhões de tentativas de drive-by download e 1 milhão de arquivos maliciosos do tipo office.
Frederico Tostes, country manager da Fortinet Brasil e VP Regional de Vendas, destacou a gravidade do cenário: “Se existe uma certeza para os próximos anos, é que o crime cibernético vai operar cada vez mais como uma indústria organizada, incorporando automação, especialização e inteligência artificial. Empresas precisam encarar a cibersegurança como um fator direto de risco financeiro, reputação e continuidade do negócio”.
Outubro de 2025 foi o mês mais visado pelos cibercriminosos, com 198 bilhões de tentativas de ataques. Setores como governo, educação e serviços de energia foram os principais alvos, além de instabilidades em serviços de nuvem que afetaram o cotidiano da população.
Uso de IA desafiam segurança digital
Na etapa de instalação de malwares, o Brasil registrou 32 milhões de trojans e 67 mil tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas. Já na fase final, foram contabilizadas 743 bilhões de tentativas de negação de serviço (DDoS), um aumento de 119% em relação ao ano anterior, e 35 mil incidentes de ransomware.
“Quanto mais dependentes de serviços digitais nos tornamos, maior também é a exposição ao cibercrime. Para combater esse cenário, é preciso que empresas adotem soluções de cibersegurança baseadas em inteligência artificial”, explicou Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil.
O relatório também revelou que o tempo para exploração de vulnerabilidades críticas diminuiu de 4 dias para apenas 24 horas, impulsionado pelo uso de inteligência artificial pelos cibercriminosos. Derek Manky, estrategista-chefe de Segurança da Fortinet, alertou: “O cibercrime é uma das ameaças mais disseminadas e custosas do mundo. À medida que os cibercriminosos utilizam cada vez mais a IA para reforçar suas táticas, os profissionais de segurança devem evoluir suas operações para uma defesa industrializada”.
Os dados evidenciam que o combate ao cibercrime exige ações coordenadas e tecnologias avançadas, como inteligência artificial, para enfrentar ataques cada vez mais sofisticados e proteger empresas e indivíduos em um mundo cada vez mais digital.
Colaboração social
A fim de alertar e incentivar a sociedade, o programa Cybercrime Bounty da Fortinet busca estimular cidadãos e hackers éticos a compartilharem informações sobre ameaças cibernéticas de forma anônima.
Além disso, a empresa tem participado de iniciativas globais no combate ao cibercrime, como o Atlas de Cibercrime, liderado pelo Fórum Econômico Mundial, e colaborado com operações como a Red Card 2.0, que visaram desarticular redes de cibercriminosos na África.