O modelo de redes programáveis, impulsionado pela iniciativa global Open Gateway da GSMA, está revolucionando o setor de telecomunicações.

O Brasil, como um dos pioneiros na implementação, já disponibiliza APIs como verificação de número (Number Verification) e troca de chip (SIM Swap), permitindo que empresas de diferentes setores acessem funcionalidades avançadas das redes, como latência, qualidade de serviço, localização e identidade digital.

APIs: acelerando a inovação e a personalização

Essas APIs abertas estão ampliando as possibilidades de integração entre operadoras e empresas de setores como bancos, fintechs, varejo, logística e entretenimento. Segundo especialistas, a abertura das redes acelera o desenvolvimento de novos serviços, oferecendo maior segurança e personalização.

Casos de uso em autenticação, prevenção a fraudes e otimização de experiências digitais já demonstram o impacto positivo dessa transformação.

No horizonte, novas APIs estão previstas para 2025 e 2026, incluindo serviços antifraude (Scam Signal), análise de localização (Most Frequent Location) e índices de crédito baseados em dados de telecom (Telco Index). Esses avanços reforçam o compromisso das operadoras em expandir o ecossistema Open Gateway e consolidar o Brasil como referência em inovação de rede.

Desafios e Conformidade com a LGPD

Apesar do progresso, os especialistas destacaram desafios relacionados à padronização entre operadoras, já que ainda existem diferenças de maturidade técnica e integração entre redes.

Além disso, a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi apontada como essencial para garantir segurança e transparência no uso das informações, especialmente em um cenário de crescente troca de dados entre redes e empresas.

O papel das operadoras na criação de valor digital

Globalmente, a GSMA informou que 60 grupos de telecom, abrangendo 267 redes móveis, já participam da iniciativa Open Gateway, com cerca de 36 APIs publicadas e outras 40 em desenvolvimento. Esse dado evidencia o ritmo acelerado de adoção e o potencial de expansão do modelo em escala global.

A mensagem central é de que o setor de telecomunicações está deixando de ser apenas um provedor de acesso para se tornar uma plataforma de inovação.

As redes, antes vistas como infraestrutura passiva, agora desempenham um papel ativo na criação de valor digital. Com uma agenda de colaboração entre operadoras, startups e reguladores, o Brasil tem a oportunidade de liderar essa transformação tecnológica e se posicionar como protagonista no cenário global de conectividade.