O Carnaval de São Paulo, um dos maiores do país, contará com um reforço tecnológico inédito para a segurança dos foliões: o uso do programa Smart Sampa e do cão-robô equipado com câmeras de alta resolução e tecnologia de reconhecimento facial. A iniciativa da Prefeitura de São Paulo visa modernizar a gestão urbana e fortalecer a atuação das forças de segurança em grandes eventos.
O que é o Smart Sampa?
O Smart Sampa é um programa de videomonitoramento inteligente da Prefeitura de São Paulo que utiliza 23 mil câmeras – sendo 18 mil públicas e 5 mil privadas – para registrar ocorrências em tempo real. Desde sua implementação, o sistema já possibilitou a realização de mais de 1,7 mil flagrantes, resultando na prisão de 500 procurados pela Justiça e na identificação de mais de 30 pessoas desaparecidas.
Além disso, o Smart Sampa conta com algoritmos avançados que geram alertas sobre atividades suspeitas, como atos de vandalismo, furtos e intrusões, e também realiza o monitoramento de placas de veículos roubados.
Como as câmeras serão usadas no Carnaval?
Durante o Carnaval, o Smart Sampa será peça-chave na segurança dos blocos de rua e desfiles. O sistema permitirá o acompanhamento das multidões em tempo real, ajudando na prevenção de furtos, brigas e outros incidentes.
Uma das grandes inovações deste ano é a utilização do cão-robô, um equipamento equipado com câmeras de alta resolução e tecnologia de reconhecimento facial. Ele terá mobilidade para circular entre os foliões e enviará imagens em tempo real para as forças de segurança, ajudando na identificação de criminosos procurados e na localização de pessoas desaparecidas. Além disso, o robô poderá interagir com o público, fornecendo orientações sobre pontos estratégicos da cidade.
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Como funciona o sistema de identificação?
O reconhecimento facial utilizado pelo Smart Sampa cruza informações captadas pelas câmeras com bases de dados da polícia. Caso um rosto identificado corresponda a um procurado pela Justiça ou a uma pessoa desaparecida, um alerta é gerado automaticamente para a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar, que podem agir rapidamente.
Desde a implementação do sistema, os números impressionam: somente em fevereiro de 2025, 143 foragidos foram detidos.
Além disso, a Prefeitura anunciou a criação do Prisômetro, um painel que exibirá em tempo real a quantidade de criminosos presos com auxílio do Smart Sampa, reforçando a transparência e a eficiência do sistema.
Discussões sobre privacidade
Apesar dos benefícios para a segurança, o uso do reconhecimento facial no Carnaval gerou polêmica. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo enviou um ofício à Prefeitura solicitando que a tecnologia não fosse utilizada durante os blocos, argumentando que poderia ferir direitos individuais e impactar negativamente foliões que participam pacificamente da festa.
A Prefeitura, no entanto, rejeitou o pedido, alegando que a tecnologia é um importante instrumento de segurança para a população e que já mostrou eficácia na identificação de criminosos e desaparecidos. O debate levanta questões sobre o equilíbrio entre segurança e privacidade, um tema cada vez mais presente nas discussões sobre o uso da tecnologia em espaços públicos.
Conclusão
O Smart Sampa e o uso do cão-robô representam um avanço na modernização da segurança pública em São Paulo, especialmente em eventos de grande porte como o Carnaval. No entanto, o debate sobre privacidade e a necessidade de regulamentação adequada continuam em pauta. O desafio agora é garantir que a tecnologia seja utilizada de forma responsável, equilibrando a proteção dos cidadãos e o respeito aos direitos individuais.
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