De acordo com um estudo da Statista, atualmente o número de usuários de NFT em todo o mundo é de 11,58 milhões.

A expectativa era que esse número alcançasse 11,64 milhões até o fim de 2025, em comparação com 10,24 milhões em 2023 e 8,73 milhões em 2022.

O crescimento desse ecossistema está intimamente ligado à ampliação do uso de criptomoedas e blockchains que suportam NFTs, permitindo transações mais rápidas, taxas menores e novos casos de uso.

Conforme destacou a CNBC, os CryptoPunks, criados pela Larvalabs e executados na rede Ethereum, estão entre os mais icônicos exemplos desse mercado. Eles respondem por 5 das 20 maiores vendas de NFTs da história. Tal popularidade se explica pela raridade e valor colecionável dessas peças digitais.

O ecossistema NFT, no entanto, vai muito além da arte e dos colecionáveis: já se expande para áreas como jogos, imóveis virtuais, verificação de identidade e até mesmo serviços financeiros.

Uma tendência em ascensão é a da utilidade real: NFTs usados como passes para eventos, certificados digitais, licenças profissionais e ativos em plataformas DeFi (finanças descentralizadas). Confira mais a seguir!

Mas afinal, o que é NFT?

O NFT (non-fungible token, ou token não-fungível) é um recurso digital baseado em criptografia e blockchain, que garante a autenticidade e a propriedade de bens digitais.

O termo “não-fungível” remete à economia: bens fungíveis são intercambiáveis (como uma nota de R$ 20), enquanto bens não-fungíveis são únicos (como uma obra de arte).

Ao ser registrado em blockchain como NFT, um arquivo digital — seja um vídeo, música, ilustração ou meme — adquire características de autenticidade e exclusividade, podendo ser negociado globalmente.

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NFTs no mercado de arte

A extensa gama de obras digitais inclui vídeos, músicas, jogos, GIFs, ilustrações e até memes virais.

Com os NFTs, qualquer artigo digital assinado por seu autor pode ser vendido em mercados descentralizados, com a vantagem de que o artista recebe porcentagem a cada revenda do token.

Como explica a curadora artística Marisa Melo, fundadora da UP Time Art Gallery, “a criptografia atua como assinatura única da obra, permitindo sua identificação e proteção no ambiente digital”.

Exemplos brasileiros de NFTs

O Brasil também se destaca no cenário global de NFTs, com projetos que unem arte, tecnologia e inovação.

Entre os principais, destacamos os seguintes:

NFT.Brasil

Realizado em São Paulo, o NFT.Brasil se consolidou como um dos maiores eventos da América Latina dedicados à arte digital.

Em sua edição mais recente, apresentou mais de 500 obras digitais de 150 artistas, explorando linguagens que vão de colagens e ilustrações digitais a esculturas virtuais.

Além da exposição, o evento promoveu experiências imersivas em realidade aumentada e metaverso, aproximando o público da criação artística em novas mídias.

CryptoRastas

Criado por Marcus MPC, o CryptoRastas é um projeto pioneiro no cenário brasileiro de NFTs.

A coleção reúne avatares digitais inspirados na cultura rastafári, produzidos em colaboração com diversos artistas nacionais.

O projeto ganhou repercussão internacional, sendo exibido em Nova York e também no NFT.Rio, evento que reforça o protagonismo do Brasil na cena artística digital.

Além de seu valor artístico, o CryptoRastas explora a ideia de comunidade digital ao redor da coleção, integrando música, lifestyle e identidade cultural.

Lívia Elektra

A fotógrafa brasileira Lívia Elektra tornou-se um nome de destaque ao levar suas obras digitais para os telões da Times Square, em Nova York.

A sua produção explora a estética da fotografia em diálogo com recursos digitais, ampliando os limites da imagem tradicional.

Ao representar a arte digital brasileira no exterior, Lívia fortalece o reconhecimento internacional de criadores nacionais e demonstra como os NFTs podem expandir fronteiras e dar visibilidade global a artistas independentes.

O que é NFT e como funciona a tecnologia que está revolucionando a arte.jpg

Questões legais e tributárias envolvendo as NFTs

O avanço da tecnologia dos NFTs também abre debates jurídicos e regulatórios que ainda estão em construção no Brasil.

Dois dos principais pontos em discussão são a tributação e os direitos autorais. Entenda:

Tributação de NFTs no Brasil

Atualmente, não existe uma regulamentação específica para a tributação de NFTs no país.

O grande desafio está em definir como esses ativos digitais devem ser enquadrados:

  • Como mercadoria: o que traria a incidência de ICMS;
  • Como serviço: o que poderia implicar cobrança de ISS; ou
  • Como ativo financeiro: o que geraria incidência de IR e outras contribuições.

Essa indefinição afeta tanto artistas e colecionadores quanto empresas que atuam no mercado de NFTs.

A falta de regulamentação cria um ambiente de insegurança jurídica que pode impactar o crescimento do setor.

Direitos autorais e lacunas digitais

A legislação brasileira de direitos autorais, regida pela Lei 9.610/98, ainda é a principal referência legal para a proteção de obras criativas. Contudo, especialistas apontam que a norma apresenta lacunas quando aplicada ao universo digital.

O blockchain garante a autenticidade e a originalidade do token, mas não assegura, por si só, a propriedade intelectual da obra.

Ou seja: alguém pode emitir um NFT de uma arte sem ser, de fato, o autor legítimo. Nesses casos, surgem disputas sobre autoria e uso indevido, que ainda carecem de jurisprudência consolidada nos tribunais brasileiros.

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Tecnologias emergentes que moldam o futuro dos NFTs

A evolução do mercado de NFTs está diretamente ligada às inovações tecnológicas que tornam suas aplicações mais sustentáveis, acessíveis e diversificadas.

Entre as principais tendências, destacam-se:

Blockchainde camada 2 e Proof-of-Stake (PoS)

Uma das críticas mais recorrentes aos NFTs é o alto consumo energético das transações em blockchain.

Para enfrentar esse desafio, soluções como as blockchains de camada 2 (Layer 2) e o modelo de Proof-of-Stake (PoS) vêm sendo implementadas.

Essas tecnologias reduzem significativamente o gasto energético e as taxas de transação, tornando os NFTs mais sustentáveis e escaláveis.

Algumas plataformas, como a Ethereum, já migraram para o PoS, diminuindo em até 99% o consumo de energia em suas operações.

Integração com inteligência artificial

A convergência entre IA e NFTs abre novas possibilidades criativas. As ferramentas de inteligência artificial já permitem gerar obras personalizadas com base em dados fornecidos pelo usuário, criando experiências únicas e exclusivas.

Esse movimento amplia o alcance da chamada arte generativa, na qual algoritmos produzem composições visuais, musicais ou literárias que depois podem ser registradas e comercializadas como NFTs.

Além disso, a IA possibilita coleções dinâmicas, nas quais a obra evolui ou se transforma ao longo do tempo.

Web3 e metaverso

Os NFTs também estão no centro da construção da Web3 e do metaverso. Nesses ambientes virtuais descentralizados, os tokens funcionam como ativos interoperáveis — ou seja, podem ser usados em diferentes plataformas e contextos.

Alguns exemplos disso são:

  • Jogos digitais: em que itens como skins, terrenos e personagens são vendidos como NFTs;
  • Experiências imersivas: como shows e eventos virtuais em que o ingresso é um NFT; e
  • Redes sociais descentralizadas: nas quais o NFT pode representar desde identidade digital até um canal de monetização para criadores de conteúdo.

De maneira geral, o universo dos NFTs evoluiu de memes milionários para um ecossistema multifuncional, com impacto crescente em setores como arte, jogos, finanças e identidade digital.

Entre o entusiasmo e os desafios regulatórios, o certo é que os NFTs seguem redefinindo o valor do digital e abrindo novos caminhos para criadores e consumidores.