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Transformação digital contra o desperdício na indústria de alimentos

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A transformação digital otimiza processos, organiza a gestão de estoque e contribui com dados para evitar o desperdício na indústria de alimentos.

Recentemente divulgado, o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos das Nações Unidas de 2021 revelou que quase um bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados em todo o mundo anualmente.

O número é alarmante e mostra que, enquanto não é difícil encontrar no Brasil e no mundo famílias com dificuldades em manter uma rotina alimentar, há um enorme desperdício de alimentos em escala global.

Mas, afinal, como usar a transformação digital para evitar o desperdício na indústria de alimentos? Para nos ajudar a responder essa e outras questões, conversamos com Daniela Leite, CEO do Comida Invisível, startup dedicada a unir quem quer doar alimentos para quem precisa, como ONGs e outras entidades.

Vamos saber mais sobre o uso da transformação digital no combate ao desperdício na indústria de alimentos? Então, continue lendo!

Como a transformação digital auxilia a indústria de alimentos?

A ideia de Daniela surgiu quando, em um certo dia, ela andava com o filho na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo, a CEAGESP. Ao se deparar com grandes quantidades de alimento em boas condições sendo jogados no lixo, teve a ideia de criar o Comida Invisível.

Desde sua fundação, em 2015, até hoje, a plataforma já colaborou com a doação de mais de 60 toneladas de alimentos para mais de 200 ONGs. Um ótimo exemplo de como a transformação digital ajuda no combate ao desperdício de alimentos.

“Acreditamos que a tecnologia tem um papel fundamental na indústria de alimentos, para otimizar processos, organizar gestão de estoque e contribuir com dados e informações que podem auxiliar muito na gestão. No nosso caso, nossa missão é reduzir o desperdício, a má distribuição de alimentos e contribuir para a diminuição de gases de efeito estufa no planeta”, explica ela.

Daniela Leite aponta outros métodos em que a tecnologia é utilizada como forma de auxiliar nesta importante missão.

“Acreditamos que a tecnologia está a serviço do humano para a construção de uma economia mais sustentável, local e circular. Oferecemos uma plataforma completa, que conecta por geolocalização quem tem alimento para doar e quem precisa dele”, diz ela.

Quais são os desafios da transformação digital na indústria de alimentos?

Enquanto iniciativas como a de Daniela chamam atenção pelo aspecto positivo, há ainda um grande caminho a se percorrer quando falamos de transformação digital para evitar desperdícios na indústria de alimentos.

Para nossa entrevistada, existem oportunidades para quem quer utilizar as ferramentas atuais nesta tarefa, mas, antes, é necessário se aprofundar no tema para que as soluções sejam as mais efetivas possíveis.

“Acredito que os desafios estejam intimamente ligados aos altos investimentos e a real percepção acerca das vantagens da transformação digital. É preciso muita pesquisa antes de iniciar um processo de transformação digital, entender realmente qual é a dor que se quer resolver e quais são os caminhos possíveis”, observa.

Além de plataformas como a criada por Daniela, é possível utilizar outras novas tecnologias para reduzir este desperdício. 

Alguns exemplos estão na Inteligência Artificial (IA), que pode auxiliar o processo no chão de fábrica, separando alimentos que não seguem os padrões para comercialização, mas que seguem em bom estado para doação.

Ação semelhante pode ser usada com o Big Data, onde dados de determinada indústria podem apontar produtos não comercializados e próximos do prazo de validade que podem ser consumidos antes da data de expiração.

Quais são os benefícios da tecnologia no combate ao desperdício de alimentos?

Quando falamos do uso da tecnologia e transformação digital para evitar que alimentos sejam jogados no lixo, temos iniciativas sendo realizadas em todo o mundo, tanto por entidades como a Organização das Nações Unidas (ONG) quanto por grandes companhias.

Mas sabia que empresas de pequeno e médio porte também podem colaborar com este objetivo? Assim como realizar doações, é possível mensurar o impacto delas, também com o uso da tecnologia. Daniela Leite explica mais:

“A crescente conscientização em relação às mudanças climáticas e uso apropriado dos recursos ambientais vêm mudando o comportamento dos consumidores e das empresas. Os investidores e empresários estão cada vez mais cientes de que, para continuarem tendo retornos sustentáveis, é necessário tomar decisões mais equilibradas em relação ao planeta e respectiva cadeia de consumo.”

Ela prossegue, citando um exemplo criado pelo Comida Invisível para auxiliar neste sentido: 

“Passamos a oferecer métricas e indicadores em ESG para que as empresas que realizam doações na plataforma saibam o impacto de suas ações. As métricas envolvem a quantidade de pessoas beneficiadas, o maior gerenciamento das perdas e desperdícios e o impacto de CO2 que deixou de ser emitido em razão do correto destino dos alimentos. Os indicadores podem ser utilizados pelas empresas em seus relatórios de sustentabilidade e ações de comunicação.”

O que saber antes de colocar essas tecnologias contra o desperdício em prática?

Mas, afinal, como utilizar essas oportunidades da transformação digital no combate ao desperdício na indústria de alimentos?

Para Daniela Leite, existem fatores importantes que devem ser levados em conta neste momento. Para ela, a tecnologia é uma importante ferramenta nesta batalha, mas, antes, é preciso que o problema seja encarado com a seriedade que merece.

“Quando abordamos o desperdício de alimentos precisamos entender que estamos diante de um problema complexo. É preciso muito estudo, muita informação e nem sempre o problema se resolve olhando uma simples variável, vendo somente um lado do prisma. Desperdício é um hábito. Somos todos, em maior ou menor grau, seres desperdiçadores por natureza. Precisamos ter profunda compreensão disso para buscar alternativas que possam reduzir o desperdício”, finaliza.

Gostou deste conteúdo? Veja também “Tudo o que você precisa saber sobre smart farming”.

 

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