O Download MWC, realizado na última segunda-feira (16), trouxe uma abordagem híbrida para discutir os principais avanços tecnológicos apresentados no Mobile World Congress, um dos maiores eventos globais de tecnologia e telecomunicações.

Combinando apresentações presenciais e virtuais, o evento reuniu especialistas de renome para explorar temas como inteligência artificial (IA), conectividade 6G, infraestrutura digital e os desafios específicos enfrentados pelo Brasil nesse cenário de transformação tecnológica.

Na sequência, destacamos os principais pontos debatidos durante o evento, incluindo as apresentações de Felipe Catharino, Sócio Líder TMT da KPMG, e Ari Lopes, Practice Leader da Informa Tech, além do painel de discussão com Gustavo Santana Borges (Anatel), Tomas Fuchs (TelComp) e Carlos Eduardo Sedeh (SAMM).

O encontro foi mediado por Hermano Pinto Jr., Conselheiro Futurecom e Diretor de Relações Institucionais da Informa Markets Latam, e trouxe reflexões valiosas sobre o futuro digital do Brasil e as oportunidades para o setor de telecomunicações. Saiba mais a seguir!

Inteligência Artificial e pragmatismo no mercado de Telecom

Felipe Catharino, Sócio Líder TMT da KPMG, trouxe uma análise detalhada sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no setor de telecomunicações, destacando o pragmatismo que permeia as aplicações atuais. Ele enfatizou que, embora a IA esteja em evidência, sua implementação exige uma preparação organizacional robusta, que inclui desde a organização de dados até a qualificação de equipes e a disponibilização de tecnologias adequadas.

“A aplicação de inteligência artificial demanda uma preparação organizacional significativa, desde a organização de dados até a qualificação das pessoas e tecnologias disponíveis“, afirma.

Catharino apresentou dados de um estudo global com CEOs, que revelou que 71% dos líderes consideram a IA um investimento prioritário. No entanto, ele destacou que a lacuna de habilidades técnicas e a falta de infraestrutura ainda são barreiras significativas para a adoção plena da tecnologia.

Ele também abordou os principais casos de uso da IA no setor, que atualmente estão concentrados em produtividade, automação e atendimento ao cliente. Segundo Catharino, as aplicações mais comuns incluem ferramentas como chatbots, personalização de ofertas e automação de processos internos.

Apesar disso, ele ressaltou que o potencial da IA ainda não foi totalmente explorado, especialmente no que diz respeito à transformação de modelos de negócios. “Neste momento, a utilização efetiva de inteligência artificial está mais voltada para eficiência interna. Ainda não vemos uma exploração total da tecnologia para transformar modelos de negócios.”

Outro ponto levantado foi o retorno sobre investimento (ROI) das iniciativas de IA. Catharino explicou que, embora as potencialidades sejam imensas, os gargalos de implementação e os custos elevados ainda limitam a escala e a eficácia das soluções.

“A inteligência artificial tem um ROI equilibrado, mas para que seja efetiva, é necessário superar desafios de custo, infraestrutura e escala“, finaliza.

Convergência de Telco e IA no cenário global

Ari Lopes, Practice Leader da Informa Tech, trouxe uma visão global sobre a integração entre telecomunicações e inteligência artificial, destacando como diferentes regiões do mundo estão abordando essa convergência.

Ele apontou que, enquanto a Europa foca em soberania digital e investimentos em data centers inteligentes, a América Latina tem priorizado serviços e parcerias com grandes provedores de tecnologia, os chamados hyperscalers.

“Na Europa, o foco está em soberania e investimentos em data centers inteligentes, enquanto na América Latina o destaque é para serviços e parcerias com hyperscalers“, pontua.

Lopes destacou a importância de soluções de conectividade resilientes, como pacotes que combinam fibra, satélite e 5G, para garantir alta disponibilidade e redundância tecnológica. Ele mencionou o exemplo do Titan Connect, uma solução apresentada pela Telefônica que integra diferentes tecnologias para oferecer conectividade robusta e confiável.

“A resiliência é fundamental. Soluções como o Titan Connect, que combinam fibra, satélite, 5G e edge computing, são o futuro da conectividade“, comenta.

Outro ponto abordado foi a descentralização da infraestrutura digital. Lopes enfatizou que a tendência global é descentralizar data centers e redes para reduzir a latência e aumentar a eficiência. Ele também destacou o papel das redes autônomas e da inteligência artificial na otimização de processos e na personalização de serviços.

“A descentralização é uma tendência natural. Inteligência artificial e redes autônomas desempenham um papel crucial na personalização e na eficiência dos serviços”, afirma.

Lopes também apresentou um estudo que classificou as operadoras de telecomunicações em diferentes estratégias de adoção de IA, desde aquelas que buscam parcerias até as que desenvolvem soluções próprias. Ele destacou que a maioria das operadoras está em um estágio intermediário, explorando dados e parcerias para implementar soluções de IA.

“As Telcos estão se posicionando como exploradoras, utilizando dados e parcerias para implementar soluções de inteligência artificial.”

Debate: desafios e oportunidades para o Brasil

O debate, mediado por Hermano Pinto Jr., reuniu Gustavo Santana Borges (Anatel), Tomas Fuchs (TelComp) e Carlos Eduardo Sedeh (SAMM), além de Felipe Catharino e Ari Lopes, para discutir os desafios e oportunidades do Brasil no contexto de IA, 6G e infraestrutura digital.

Gustavo Santana Borges destacou a importância de diversificar fornecedores e descentralizar a infraestrutura digital no Brasil. Ele apontou que a previsibilidade regulatória é essencial para atrair investimentos em data centers e redes descentralizadas. Além disso, ressaltou o papel dos satélites na conectividade e os impactos da geopolítica na soberania digital.

“Precisamos de previsibilidade regulatória e segurança para atrair investimentos em infraestrutura crítica, como data centers e redes descentralizadas“, afirma Borges.

Tomas Fuchs trouxe à tona a necessidade de regionalizar o espectro e promover a inclusão digital. Ele criticou a concentração de investimentos em grandes centros urbanos e defendeu um ambiente regulatório que favoreça a entrada de novos players.

“Se não tivermos um ambiente regulatório propício, ficaremos dependentes de grandes grupos que priorizam regiões mais lucrativas, deixando áreas remotas sem conectividade“, reforça Fuchs.

Carlos Eduardo Sedeh reforçou a importância de descentralizar a infraestrutura digital no Brasil. Ele apontou que a concentração de data centers em São Paulo limita o potencial de IA e conectividade em outras regiões. Sedeh também destacou o papel das redes inteligentes e da inovação para atender às demandas do mercado corporativo.

“Precisamos de incentivos para descentralizar a infraestrutura e levar data centers de alto padrão para capitais e regiões estratégicas do Brasil”, comenta Sedeh.

Felipe Catharino e Ari Lopes complementaram o debate com suas visões sobre a integração de IA e conectividade. Catharino enfatizou que a implementação de IA exige uma preparação organizacional robusta, enquanto Lopes destacou a importância de soluções resilientes e descentralizadas para garantir a eficiência e a segurança das redes.

Os participantes concordaram que o Brasil precisa de uma estratégia de longo prazo que integre tecnologia, soberania e inclusão digital para atender às demandas de um país continental.

Reflexões para o Futuro Digital do Brasil

O encontro proporcionou reflexões valiosas sobre o futuro digital do Brasil, destacando as oportunidades e desafios para o setor de telecomunicações. Com a participação de especialistas renomados, foram abordados temas como inteligência artificial, conectividade avançada e infraestrutura digital, reforçando a importância de estratégias colaborativas e investimentos estruturados para impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país.

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