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O exemplo da Coreia do Sul e o futuro dos negócios no Futurecom Digital Summit

Com participação do embaixador do país asiático e painel com especialistas da indústria, segundo dia do Futurecom Digital Summit aborda aspectos essenciais do “novo mundo”.

O segundo dia do Futurecom Digital Summit foi realizado nesta terça-feira, dia 23 de junho, e contou em sua abertura com uma inspiradora fala de Chan-woo Kim - Embaixador da República da Coreia no Brasil.

Com o tema “O Uso de Tecnologias no Combate à Pandemia - O Exemplo da República da Coreia”, o embaixador mostrou com o o país asiático, mesmo estando próximo à China, epicentro da pandemia, conseguiu dar uma resposta rápida e eficiente contra a disseminação do coronavírus.

“Não há uma solução mágica para combater o coronavírus”, afirmou o diplomata sul-coreano, que apontou a estratégia de “Testar, Rastrear e Tratar” aplicada pelo país no combate à COVID-19.

Kim falou sobre o rápido reconhecimento e tomada de decisões para enfrentar o problema, com ações que incluíram a criação de testes desenvolvidos em solo coreano e posteriormente exportados para diversos países (incluindo o Brasil) e a realização de testes em massa por drive-thrus e cabines especiais que evitavam o contato entre profissionais da saúde e pacientes testados.

O embaixador também usou o exemplo do Self Health Check App, desenvolvido pelo governo da Coreia do Sul para que os habitantes pudessem realizar uma checagem de síntomas e, assim, procurarem auxílio médico apenas quando necessário.

Outra medida aplicada foi o uso de QR Codes para pessoas que visitaram locais de alto risco de contaminação. Por meio da técnica, o governo conseguiu rastrear, testar e tratar mais facilmente os infectados, diminuindo a propagação da infecção.

Ainda nesse escopo, Kim falou sobre como as autoridades buscaram manter sua base de dados atualizada para poder contatar e manter as pessoas contaminadas em quarentena, e como isso foi feito de acordo com padrões que não violassem a privacidade individual de sua população.

Leia mais: “Tecnologia a serviço da Justiça” é tema de painel do Futurecom Digital Summit

Segundo o diplomata, os pilares da transparência, abertura e democracia foram os diferenciais na bem-sucedida luta do país contra a pandemia que afetou praticamente todas as nações globais.

 “Esta política foi implementada com a cooperação e soliedaderidade de todos que aceitaram e colocaram em prática as medidas de segurança”, afirmou, citando ainda o exemplo das eleições gerais de 15 de abril, que foram mantidas com participação de 29 milhões de eleitores e sem ocorrências de aumento nos casos em virtude do respeito às medidas de proteção e distanciamento.

“É muito importante estabelecer um equilíbrio entre a necessidade de prevenção da COVID-19 e a privacidade individual das pessoas”, prosseguiu Kim. “A situação dessa pandemia não é uniforme, o que faz com que se mantenha muita atenção para tomar a decisão mais equilibrada em cada caso.”

O impacto da inovação para o futuro dos negócios

Após a fala do embaixador, foi iniciado o primeiro painel do segundo dia do Futurecom Digital Summit. Moderado por Jefferson Denti, partner na Deloitte, e com o tema “Convergência IoT, Big Data, Inteligência Artificial e Blockchain Definindo o Futuro dos Negócios”, o papo reuniu seis especialistas da área que discutiram os impactos das inovações no mundo corporativo.

“Talvez nos últimos tempos a gente tenha ficado mais nos quadrados iniciantes para entender com o o mercado ia reagir. Nesses últimos três meses, acho que a experiência foi de olhar para consumidores num formato diferente, buscando uma forma diferente de interagir com as empresas e seu ecossistema, assim como olhar para o core business de uma outra forma”, refletiu o moderador, logo no início do painel.

CEO para América do Sul da ThyssenKrupp, Paulo Alvarenga falou sobre a experiência de sua empresa sobre o tema: “Nossa empresa tem mais de 200 anos, nós nascemos na onda da primeira revolução, e hoje estamos na quarta. E acho que isso mostra o seguinte: cada vez que atravessamos um momento desse, você é obrigado a se transforma”, analisou.

Ele prosseguiu:  “Esse período de transformação é decisivo para dar longevidade à empresa, e acredito que esse momento de hoje contribui com a aceleração. Vejo que ele acelera porque ele pode impactar os negócios de diferentes maneira. O que estamos vivendo está acelerando a digitalização da cadeia de valor e acelerando a criação de novas soluções digitais.”

Tecnologia pela segurança dos trabalhadores

CIO da Groupe PSA, Antonio Carlos Neves falou sobre a necessidade de oferecer garantias de segurança aos trabalhadores para que os negócios sejam retomados com o mesmo ímpeto:

“Mais do que nunca, temos que garantir a volta da produção com o distanciamento social. Isso é válido para toda a indústria automobilística: hoje a gente consegue fazer simulação com a indústria 4.0 por meio da entrada de um novo produto na linha de produção, assim como modificações da linha de produção para melhorar a experiência para todos os colaboradoras”, disse.

“A indústria automobilística costuma se antecipar às outras por questão de necessidade, e daí veio a adesão da automação”, concluiu o CIO.

Carlos José Bastos Grillo, CDO da WEG, analisou o desafio que sua empresa tem enfrentado com a missão de desenvolver um respirador mecânico para auxiliar na recuperação de infectados pela COVID-19, além da experiência alcançada com as operações da WEG na China:

“A China fez um trabalho muito organizado em relação à isso, e aprendemos muito lá. Quando a coisa começou a ficar mais complicada no Brasil, e em outras fábricas nossas como na Europa e nos EUA, nós já tinhamos um aprendizado, e adotamos medidas que na China foram vitais para conter”, afirmou.

Ele prosseguiu: “Recebemos um grande desafio do governo federal, que é o de desafiar um respirar mecânico, e temos uma equipe trabalhando 24/7 e posso dizer que é o equipamento mais complexo no qual já trabalhamos. Todo esse mecanismo que acabamos contruindo na empresa, de olhar pra dentro na digitalização, isso facilitou bastante a amenizar o impacto do coronavírus nas atividades.”

A inovação no horizonte do transporte

Representando o Grupo CCR, o CIO André Costa aproveitou para falar sobre como as rodovias estão se utilizando das tecnologias disruptivas para oferecer espaços de locomoção de passageiros e transporte de cargas mais eficientes e seguros:

 “A gente precisa estar pronto para dar suporte aos caminhoneiros, assim como ter o conhecimento para fazer a melhor gestão do metrô, dos portos, do VLT, para que consigamos com que os profissionais de serviços essenciais e os insumos de saúde e mantimentos cheguem até onde devem, e a utilização da indústria 4.0, do IoT, IA e Big Data tem sido fundamental”, explicou.

“Olhando para o horizonte, a gente vê que esse desafio se perpetua e alanvaca ainda mais a digitalização de processos e serviços nos quais estamos trabalhando para encontrar as melhores formas de implementar”, prosseguiu o executivo.

Mais do que inovação: suporte compatível

Para Wilson Leal, CIO da Tokio Marine Seguradora, não basta apenas avançar em termos de opções mais tecnológicas, mas é preciso, sim, oferecer um suporte compatível.

“A revolução digital é fazer o seguro de forma totalmente diferente, pois não adianta você fazer uma venda digital e ter um backup todo analógico. Isso é o que eu chamo de revolução digital: todo o nosso processo tem que se transformar a partir de agora. Acredito que todas as empresas estão convergindo nessa ideia para que essa revolução chegue com calma e clareza para todos”, disse.

“A tecnologia que falamos aqui, como Big Data, IA e um pouco de IoT em seguros, tudo isso vai nos permitir enxergar o que o cliente quer a partir de agora. Acho que esse é o principal ganho: como corretores, seguradoras, fábricas e lojas vão mudar com essa nova visão de mundo que estamos vivendo? Noventa dias em casa realmente mudam nossos hábitos de consumo e nossa forma de ver o mundo, e tudo isso tem que ser levado em consideração”, concluiu.

Carros autônomos e o futuro do mercado automobilístico

Falando sobre carros autônomos e o futuro do mercado automotivo, Paulo Alvarenga apontou o fato de que as novas tecnologias podem ajudar a evitar recalls, transformando o transporte de pessoas ou mercadorias em uma atividade mais eficiente e livre de riscos.

“Por meio do Big Data é possível, por exemplo, verificar se haverá alguma falha em determinada peça ou produto e tomar as medidas necessárias muito antes, em forma de prevenção”, refletiu.

Wilson Leal, concordou com o colega, apontando ainda outras medidas que serão possibilitadas por tecnologias de ponta.

“Também é possível utilizar os dados para precificar melhor, personificando os valores de maneira individual, assim como análise de fraude e automação de sinistros.  Ou seja: o Big Data e o uso de IA permite com que esses dados que antes ficavam no escuro apareçam mais e deem novos insights para as empresas”, disse.

Blockchain a favor da indústria nacional

Quando o tema passou a abordar blockchain e as mudanças que essas tecnologias podem causar nas fábricas, Paulo Alvarenga apontou para o fato de que as atividades seguirão, mas que as inovações as tornarão mais fáceis: “Nossas atividades não vão deixar de existir, o mundo real não deixará de existir. A tecnologia irá sim é agregar.”

“A nossa experiência mostra que, a medida que a gente envolve as pessoas, mostrando que a tecnologia irá facilitar o trabalho delas, e não ser uma ameaça, como na linha de produção, eles vibram e seu trabalho também fica enobrecido por meio disso”, concluiu.

Para André Costa, independente das mudanças, as pessoas continuarão sendo o elo mais importante do mercado: “Empresas são pessoas. Não importa quanta tecnologia exista, é preciso capacitar e engajar as pessoas. O que será necessário é de mais pessoas com domínio na área de negócios, e a área de tecnologia passará a ser uma plataforma para empoderar o usuário final.”

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