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Liderança e desafios do pós-pandemia marcam o sétimo dia do Futurecom Digital Summit

Segundo bloco do dia dedicado à trilha 4 CORP trouxe presidentes de importantes empresas em conversa sobre o papel do líder frente à crise pandêmica.

A segunda seção do sétimo dia de Futurecom Digital Summit, dedicado à trilha 4 CORP, foi realizada nesta quarta-feira, dia 1º de julho, e contou em sua abertura com a palestra “Habilidades e Postura Essenciais para Lidar com os desafios da Pós-Pandemia”, ministrada por José Claudio Securato, CEO da Escola de Negócios Saint Paul.

Novo Mundo

Em sua fala, Securato abordou os aspectos que se apresentam no novo cenário de mundo que estamos enfrentando e as alterações que isso trará:

“Quando falamos de mudanças de laços sociais, de mudanças da sociedade, basicamente o que a se refere é a mudança pela qual nós todos vamos nos organizar. No passado nós nos organizávamos numa sociedade estritamente vertical. Era uma sociedade piramidal, onde alguém ou algo noz dizia como devíamos nos organizar”, explicou, dando exemplos de desafios e evoluções dos séculos passados como o pensamento primeiro pela natureza, então pela Igreja, depois a chegada do Iluminismo, da razão e o elo comum entre as três magnitudes na era da verticalidade.

“A gente recebeu um mundo pronto, um mundo com padrões e onde era esperada uma série de comportamentos da maior parte das pessoas. Essa mudança agora fará uma ruptura brutal, levando-nos para uma socidade horizontal. Essa sociedade trará características tão novas que exigirá novas habilidades de todos nós”, explicou ele.

Leia mais: Futurecom Digital Summit: A estratégia digital e o futuro do trabalho e dos negócios

Segundo Securato: “o novo mundo tem características diferentes, ele é colaborativo. Lógico que para voCê inovar, para surpreender, é preciso tomar riscos, mas assumindo as responsabilidades pelo que você faz.”

Para o palestrante, esse mundo que estamos começando a conhecer também trará mudanças estruruais para a sociedade e cultura: “O talento vai se sobrepor ao capital. Isso significa que cada um de nós pode, e tem chance, de mostrar muito mais valor numa sociedade diferente, num capitalismo amadurecido”, afirma ele, que destaca ainda a mudança de rumos econômicos.

 “Eu chamo a atenção para a economia baseada em dados, onde você consegue coletar, tratar e ajudar seus produtos e serviços em tempo real todos os dias com base nas respostas dos dados tratados. Isso é uma nova característica de economia”, reflete.

Transformação do trabalho

Para Securato, outro ponto de conversão na nova fase será a maneira como nos relacionamos com o trabalho:

 “Os empregos também vão mudar drasticamente, a Futurecom já falou disso hoje. O Fórum Econômico Mundial tem um dado, talvez não bem compreendido, que diz que 42% dos trabalhos serão extintos até 2022. Isso não quer dizer que os postos de trabalho serão existintos, mas os tipos. As máquinas farão um pouco o trabalho de cada um de nós. A máquina faz bem o trabalho do Velho Mundo, mas nós faremos os trabalhos do Novo Mundo”, explicou.

Segundo o convidado, tais alterações demandarão novas habilidades, e o aprendizado se torna ainda mais necessário: “Essa mudança de era nos exigem novas competências. As pessoas ainda não estão prontas para elas, mas as instituições ainda não estão, e as escolas tampouco. A alternativa é aprender.”

Onlearning

O palestrante também falou sobre o conceito de onlearning: o seguir aprendendo, como explicou: “Existe o que a gente chama de onlearning. Imaginamos que temos um botão aprender, e que ligamos e desligamos esse botão. A maior habilidade que eu gostaria que vocês entendessem é que passemos a deixar esse modo de aprender sempre ligado, por isso o onlearning.”

Para ele, as atividades realizadas de forma virtual vieram para ficar, e cabe a nós nos adaptarmos a elas, como exemplificou o convidado:

“Esteja aberto para a aprendizagem híbrida, que combina o online e o presencial. O novo mundo é múltiplo, um mundo em que cada um de nós terá muito mais alternativas para colaborar. Colaborar também não é algo fácil, nós não fomos talvez acostumados e envolvidos para isso, fomos muito mais desenvolvidos para trabalhar individualmente com outras pessoas. Mas colaborar é uma palavra chave, e é um processo ao qual todos nós devemos estar muito mais abertos para ouvir, entender pontos de vista diferentes e de fato estar aberto ao diverso, ao flexível e ao variável.”

Mudanças velozes

O convidado ainda afirmou que a velocidade com que esse novo cenário está se apresentando é alta, e precisaremos nos arriscar para que essa adatapção seja mais fácil:

“O Novo Mundo vai emergir cada vez mais rápido. Muitas empresas já enxergaram isso. Resumindo: esteja aberto ao novo, se arrisque, entenda o surpreendente assumindo a responsabilidade pela sua inovação e exerça a aprendizagem ativda de forma cada vez mais profunda e constate, sendo você o protagonista desse processo de aprendizagem”, concluiu.

Papel da liderança

Após a palestra, foi a vez do painel com o tema “Da Sobrevivência ao Sucesso: O Papel da Liderança em Cenários radicalmente Incertos”. Com moderação de André Miceli, CEO da MIT Technology Review Brasil, o debate teve a participação da Presidente da Whirlpool, Andrea Salgueiro, que abriu a rica conversa entre grandes executivos.

 “Nós montamos um gabinete de guerra para garantir que conseguiríamos trabalhar de forma ágil, isso para facilitar a tomada de decisão, o que nos ajudou a planejar o que seria prioritário e como a gente conduziria essa sequência de atividades e medir a performance, ao mesmo tempo em que estávamos entendendo o tamanho da crise”, explicou ela, que detalhou os princípios que guiaram sua companhia neste processo.

Princípios para enfrentar a crise

“Nós estruturamos em cinco princípios. O primeiro e mais importante foi proteger nosso empregado em termos de saúde e segurança. O segundo foco foi proteger caixa, porque tinhamos que garantir que passaríamos por esse segundo semestre de maneira saudável. Em terceiro lugar foi a proteção de demanda e receita, pois a partir do momento em que as coisas caem tivemos que buscar outras formas de gerar receita”, observou ela.

“Então como ajudar nossos clientes, nossos consumidores e trazer essa demanda para dentro da casa? Também trabalhar a manufatura de maneira mais flexível, pois vimos um grande crescimento do online em detrimento do offline, e para trabalhar isso de forma online requer maior esforço de manufatura. E por fim como faríamos para que, passando essa fase inicial, montássemos o redesenho para o retorno. O vírus seguirá por um bom tempo até que as vacinas sejam descobertas e disponibilizadas, então vamos viver com essa questão por um tempo, então como desenhamos uma operação para se readaptar isso?”, prosseguiu Andrea.

Mudança de atitude

Para ela, o papel da liderança foi desafiado, e para responder à altura os executivos de alto escalação precisaram ter uma mudança de atitude:

 “Eu, particularmente, como CEO e presidente da organização, sempre tive uma postura muito firme mas serena, pois se o piloto entra em pânico, você coloca todo o avião em pânico. Então mesmo não tendo todos os fatos, tomávamos as decisões de forma consciente e passamos isso de forma segura, dentro de uma abordagem de liderança empática e humana”, refletiu.

Também convidada da conversa, Juliana Azevedo, Presidente da Procter & Gamble, falou sobre experiência na inusitada situação:

“No nosso caso havia um grande comitê e outros menores, pois a velocidade de tomada de decisão em uma crise como essa toma uma outra velocidade. No nosso caso também tivemos três princípios: proteger as pessoas, garantir o fornecimento e o terceiro proteger a comunidade. Como estamos presentes em mais de 30 países, pudemos ver os capítulos dessa crise se desenrolando em vários lugares. Isso permitiu com que a gente antecipasse compra de materiais primas e conseguisse ter protocolos que já estavam prontos antes que a crise chegasse ao Brasil”, contou.

Encarando os desafios

Na visão da convidada, a crise expôs outras tarefas dos líderes que exigiram um intenso diálogo para manter a calma e tocar o barco em frente aos desafios.

“Eu digo que desde que a crise começou eu tenho três trabalhos: um é gerenciar meu negócio, outro é gerenciar a crise e o terceiro é imaginar o que será o futuro. Isso porque os planos que nós tinhamos terão que ser completamente redesenhados. No meu segmento eu sou cautelosamente otimista. Entendo que teremos uma crise econômica difícil pela frente, compartilho com o que a Andréa falou, de que iremos conviver com esse vírus até a chegada de uma cura”, explicou.

E prosseguiu: “Usamos esse tempo para conversar com os consumidores e clientes, revisamos totalmente nosso plano de inovação após mais de 100 horas falando com os consumidores, e estamos confiante de que tem como seguir ajudando o consumidor, não com o mesmo plano, mas sim com planos novos.”

Decisões para cada fase

Quem também foi convidado para o painel foi Gustavo Estrella, Presidente da CPFL Energia. O executivo complementou a visão das colegas, mostrando como as situações foram sendo assimiladas e quais reações foram tomadas em cada fase da crise.

“Escutando a história da Andréa e da Juliana, posso dizer que aqui na CPFL é muito parecido. Nosso controlador é da China, e lembro de quando eles nos falaram de que teríamos que nos adaptar ao álcool gel, a usar máscara, nós não entendíamos de fato, e menos de um mês depois isso se concretizou”, relembrou.

Assim como as outras painelistas, Estrella falou sobre a preocupação inicial das empresas sobre a saúde dos colaboradores e o andamento das atividades.

“Assim como comentaram antes, nossa principal preocupação no dia um foi como preservar a saúde dos nossos colaboradores, então compramos mais de um milhão de máscaras, por exemplo. Buscamos garantir o suprimento para três meses, buscando sempre proteger os trabalhadores”, relfetiu.

Tradicionalismo x Inovação

Para ele, o fato do setor elétrico ainda funcionar de forma mais tradicional foi um outro desafio apresentado pelo momento, como exemplificou no debate:

“Em um momento como esse, com as pessoas em home office, a energia é ainda mais essencial nesse momento, e precisamos de fato garantir e preservar a nossa operação. Também tivemos o desafio de preservar o caixa, meu setor é bastante conservador e tradicional, um pouco diferente da Whirpool e da P&G. Somos um setor em que as pessoas pagam a conta na lotérica, nós fazemos a medição na casa, para depois entregar a conta, então toda essa logística teve que ser repensado.”

Ainda de acordo com Gustavo, o desafio para as lideranças provou-se um obstáculo duradouro mas também um aprendizado que poderá trazer valiosas lições.

“O papel que a liderança têm é fundamental. O nosso desafio é como fazer a comunicação, passar por todos esses líderes da companhia para que tenhamos um discurso alinhado e colocarmos a companhia no rumo certo, e não tivemos tempo de fazer isso, foi realizado de forma muito rápida. Então sem esse protagonista seria impossível de chegar aonde chegamos. Acho que estamos no meio da pandemia, esse desafio ainda não acabou. E eu não tenho dúvida de que essas mudanças trarão benefícios tanto para nós quanto para os nossos clientes”, analisa.

Fim da concorrência?

Segundo Juliana, a dimensão e velocidade da crise mudaram também a forma como as empresas se relacionam entre si, e o aspecto da concorrência poderá se tornar obsoleto no novo mundo.

“Nessa nova economia que se forma,  nos desafios que teremos que resolver, eu acho que essa questão de concorrência terá que ser revista. Temos esse músculo da colaboração que precisamos exercitar. Propósitos, serviços e produtos muito mais juntos, e exercitando essas colaborações com um grupo maior para fazer essa economia ir para frente não só no Brasil, mas principalmente aqui”, diz.

Uso da criatividade

Para Andréa, mesmo com as diversas dificuldades, a sociedade brasileira mostrou que sabe utilizar a criatividade para perseverar em um momento de extrema delicadeza.

“O ponto do brasileiro ser criativo e ousado, eu acho que nós tivemos uma velocidade que outros colegas não conseguiram fazer. A gente tem a sina de cachorro de rua, mas não, a gente é realmente criativo, rápido e hábil para trazer soluções de uma maneira ágil, o que eu não vi em tantos outros lugares do mundo”, observou.

“Acho que agora vai também da ousadia, do bom senso, da capacidade de se reinventar, e acho que cada vez mais isso será exigido dos líderes. Nós não temos uma cartilha de gestão que nos ensine como agir nessa situação, mas acho que vai na capacidade de inovar, ousar e mobilizar a organização”, concluiu a convidada.

Relacionar-se para sobreviver

Gustavo concordou com a visão da colega, apontando ainda que a tecnologia servirá como ferramenta para um novo enfoque: o do relacionamento como primordial para a sobrevivência.

“A gente precisa construir essa cultura de foco no cliente cada vez mais. O que a gente tem usado de IA e recursos tecnológicos, acho que primeiro é olhando um pouco para dentro, para saber como melhorar nossos processos com implementação de robotização e tudo mais, e então vamos para uma segunda etapa, que vai na minha forma de relacionamento com os clientes”, explicou.

“Eu preciso me antecipar à uma necessidade que ele ainda não sabe que tem, e para fazer isso eu preciso de tecnologia. Ele não espera isso da CPFL, e eu preciso surpreender ele, então para isso eu preciso utilizar todos os recursos tecnológicos que estão disponíveis para mim, oferecendo assim a melhora da experiência que o cliente tem comigo. Acho que esse é o grande desafio, e a tencologia tem papel fundamental para que possamos fazer isso”, encerrou.

Quer conferir a palestra e o painel na íntegra? Assista todas as palestras do Futurecom Digital Summit gratuitamente em: https://videos.netshow.me/informa.

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