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Impactos e vantagens do IoT e AI são debatidos no Futurecom Digital Summit

Principais soluções e aplicabilidades oferecidas pela Internet das Coisas e Inteligência Artificial para a indústria brasileira foram tema de debate no segundo dia de encontro entre especialistas.

Os impactos sociais do uso de Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial pelas indústrias no Brasil foram debatidos durante a palestra “Mais Produtividade para a Agricultura pela Conectividade Integrada com IoT e Inteligência Artificial” e no painel “Oportunidades na Transformação dos Negócios com o Uso combinado de Inteligência Artificial e IoT (IoT)”, ambos realizados na última sessão do segundo dia do Futurecom Digital Summit.

Segundo o gerente de controle de produção agropecuária da Amaggi, Ricardo Moreira, a decisão em utilizar 4G em 700 megahertz na fazenda Água Quente deve-se ao plano de facilitar a expansão não somente da conectividade para máquinas e sensores, mas também para o entorno da fazenda; “isso inclui as pessoas”.

Para o head of service BU Latin America da ThyssenKrupp, Helder Canelas, o uso da inteligência artificial e internet das coisas pelas indústrias, tem um papel importante na sustentabilidade dos negócios, mas também na sociedade. Ele exemplifica com a fábrica instalada em Guaíba (RS), onde qual boa parcela da população local trabalha. “Sustentar o negócio é garantir a sociedade. Não ‘saímos do chão’. Nós olhamos a questão de impacto e transformação do negócio”, explica.

Opinião semelhante a do diretor da Weg/PPI, Marcelo Pinto, para quem as indústrias têm um papel gigante a realizar pela produtividade brasileira e de mudar a cultura nacional para ser uma plataforma de produção e exportação, “ajudando o pequeno, médio e grande”, mas que isso precisa ter um impacto positivo no brasileiro.

Leia mais: O exemplo da Coreia do Sul e o futuro dos negócios no Futurecom Digital Summit

Sobre oportunidades de desenvolvimento, o CIO do Grupo Queiroz Galvão, Marcello Borges, concorda que com IoT e inteligência artificial os ganhos industriais se tornam exponenciais, que podemos transformar as empresas e, consequentemente, o País, mas alerta que é necessário cuidado na adoção das tecnologias, que é necessário pensar em projetos pequenos, mas de óbvia grande valia para as empresas; ‘tiros curtos” para obter resultados e então evoluir.  

Parte do impacto social pode ser percebido no desenvolvimento de mão de obra qualificada para atuar com IoT e inteligência artificial. Para o presidente da Bem Brasil, João Emílio, no interior do País é mais “difícil” formar profissionais ou que as pessoas envolvidas nos processos da empresa acompanhem todo os processos, e é necessário um estímulo para que “as coisas realmente aconteçam” e que os colaboradores participem da mudança, sendo preciso em alguns casos se associar com quem já faz “certo” para descobrir o que já está disponível no mercado para, então, implementar na empresa.

O desafio da formação da mão de obra está no choque de gerações, de acordo com Canellas. Há os profissionais mais sêniores com eventual dificuldade para absorver novas tecnologias enquanto há os mais jovens com facilidade para aprender, que fazem estágio na empresa e seguem carreira. “Como faço para reter esses talentos?”.

Para Borges, no entanto, a dificuldade em conseguir mão de obra vem de outras tecnologias, IoT e inteligência artificial “só fazem exponenciar”. A solução encontrada pelo Grupo Queiroz Galvão foi procurar por parceiros que sejam bons naquilo que querem aplicar.

“O que vai agregar de valor para o que queremos fazer? Quem é o melhor no mercado? Já existe algo pronto?” são algumas das perguntas citadas pelo CIO do grupo como guias para identificar mão de obra qualificada. “Trazemos parceiros para o projeto e o aceleramos. Treino minha equipe para conhecer aquela tecnologia, isso já ajuda a atender a nossa diversidade de negócios”.

Solução semelhante a indicada e aplicada por Canellas e por Pinto. O head of service BU Latin America da ThyssenKrupp afirma preferir desenvolver talentos “dentro de casa”, devido ao alinhamento com a cultura organizacional da empresa o que gera um ganho diferencial futuro. Já o diretor da Weg/PPI explica que a empresa tem a cultura de desenvolver sua própria mão de obra em um centro da empresa que sendo atualizado conforme surgem novas tecnologias, então são criadas disciplinas.

“Há um grupo para atender digital já. Isso diminui a escassez de mão de obra qualificada. No caso de inteligência artificial já existem soluções que os deixam menos dependentes de cientistas de dados”, explica Pinto.

Outros desafios da aplicação do IoT e Inteligência Artificial

Questionados pelo presidente da Abinc (Associação Brasileira de Internet das Coisas) e moderador “Oportunidades na Transformação dos Negócios com o Uso combinado de Inteligência Artificial e IoT (AIoT)”, Paulo Spacca, se a regulamentação seja um dos desafios da popularização e, consequentemente maior utilização do da Internet das Coisas e Inteligência Artificial, Canelas explica que não sente que exista algo sobre regulamentação – ainda que seja um tema a ser debatido -, mas sim obstáculos em infraestrutura, não é possível instalar com um coletor de dados dentro de elevadores, pois não há sinal.

Para Borges, porém, pela regulamentação será necessária uma lei mais rígida em relação a eventuais ataques hackers. “Precisamos olhar com mais afinco, com penalidades maiores. A legislação precisa acompanhar não o projeto em si, mas as consequências se alguém invadir o sistema”.

Soluções do Iot e inteligência Artificial

O CIO do Grupo Queiroz Galvão lembra que muito se fala em “indústria 4.0”, e que a reboque as tecnologias estão ficando mais baratas. “Todos projetos trazem ganho de produtividade e de informação. Isso nos faz olhar para frente, nos dá a oportunidade de olhar com foco em TI para sermos mais produtivos como empresa e como país”.

Na opinião de Pinto na “indústria 4.0” não basta IoT; “ela é mais ampla”, diz referindo-se à possibilidade de as indústrias tomarem decisões baseadas em fatos e dados. “Existe o ganho de produtividade e tem os impactos de acompanhar as mudanças de modelos de negócios. Caminhamos rumo a customização e indústria compartilhada”, sentencia o diretor da WEG/PPI acrescentando a redução na perda de matéria-prima e no uso de energia à lista de benefícios do IoT e Inteligência Artificial.

O que vem a calhar na opinião de Emilio, uma vez que a Bem brasil utiliza muita energia térmica –“todo nosso processo usa muito vapor”, mas ressalta que o que ele procura mesmo é um processo auto corrigível. “Entre chegar a batata in natura e o final do processo (batata fatiada e congelada) acontece muita coisa no meio do caminho”.

Emilio explica que sua necessidade é um sistema que sem interferência humana, vá monitorando toda cadeia, identificando batatas pelo tamanho, ajustando temperatura e, claro, trazendo economia.

Borges comenta que já é possível acompanhar e reduzir acidentes de trabalho na construção civil, graças ao IoT e inteligência artificial. “A câmera não cansa nem pisca, então se alguém se desvirtuar do caminho é gerado um alerta instantâneo e acionamos o responsável pela segurança”. Essa tecnologia preditiva também é usada pela ThyssenKrupp: “coletamos dados no elevador, ‘jogamos’ na cloud e geramos um relatório que é enviado a um técnico que repara os elevadores, sem necessidade do cliente nos ligar”, relata Canelas.

Evolução

Engana-se, porém, quem acredita que Internet das Coisas e Inteligência Artificial sejam soluções tão recentes. o gerente de controle de produção agropecuária da Amaggi, Ricardo Moreira, lembra que a digitalização da companhia começou em 2010, com tablets nas fazendas para fazer o controle operacional o que substitui ficha de papel.

Ainda naquele ano foi desenvolvido um aplicativo para facilitar navegação. “Foi ‘ a quatro mãos’, pessoas campo e lavoura foram fundamentais para criar o app com boa aderência e fácil navegação”, revela.

Já em 2014, foi desenvolvido o “telemeclima”, unindo telemetria e ferramentas de clima para trabalhar de forma conjunta para oferecer solução instantânea”, por isso a importância da conectividade. A telemetria das máquinas para o, gerenciamento do comportamento dos operadores das máquinas, medir rpm, velocidade ou mesmo tempo parado, tempos de abastecimento etc.

“Isso oferece mais qualidade das operações: maior controle para seguir premissas que vão por ordem de serviço até o bordo da máquina que conforme vai atuando envia alertas instantâneos”

A parte do clima fica por conta de alertas para realizar a gestão das interferências climáticas e como isso impacta o trabalho. “Dá para controlar se temperatura está acima do permitido para aquela operação, se tem chuva se aproximando, se está úmido...”

Moreira revela que está chegando o momento do “m2m”: máquina falando com máquina. Com isso pretendem resolver questões como sobreposição de área trabalhada ou falha entre máquinas.”

“Sabemos que até então na ficha o nível de informação não era tão detalhado como será agora com sensores. Vai aumentar muito o número de dados. E aí sim é onde entra a inteligente artificial para minerar isso para gerar conhecimento e tendências. Dados que são humanamente difíceis de analisar, mas a decisão final é do ser humano”.

Veja as palestras do segundo dia de Futurecom Digital Summit em: https://videos.netshow.me/informa. Inscreva-se no evento para acompanhar as palestras dos outros dias desta imperdível realização da Futurecom.

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