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Futurecom Digital Summit aborda o papel do 5G e do OpenRAN na impulsão da conectividade brasileira

Primeira seção do sexto dia do evento virtual fala sobre o futuro das conexões no país e os impactos que as inovações exercerão no cenário das redes nacionais.

Patrocinada pela Nokia, a primeira seção do sexto dia do Futurecom Digital Summit foi dedicada à trilha FutureCONGRESS e ocorreu nesta terça-feira, dia 1º. O dia teve como abertura a palestra “Um passo à frente: como o 5G impulsionará a produtividade e a transformação digital no Brasil”,  conduzida por Wilson Cardoso, Chief Solutions Officer para Latin America da Nokia, e Ari Lopes, Senior Manager para as Americas da OMDIA.

“Todas as ferramentas são fundamentais, e o que fazemos é com que elas tenham algoritmos e machine learning de IA para que a rede se ajuste”, iniciou Wilson.

“Hoje temos a capacidade de analisar o desempenho das fibras e verificar o desempenho das redes dentro das residências. Hoje, com a questão do COVID, estão ainda mais preocupados com isso, e para isso é necessária a segurança e a gerência de serviços”, complementou o palestrante antes de apresentar cases de monitoramente e do espectro de frequências da América Latina.

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Segundo ele: “é fundamental que, baseados no ecossistema mundiais, a maior parte das redes privativas é como as que existem no Brasil: de 3.8 a 3.8 GhZ”. E prosseguiu: “Isso nos permite garantir a evolução em serviços de banda larga avançada e redes de alta resiliência.”

Impactos do 5G na produtividade

Para o representante da Nokia, a chegada da rede 5G terá impactos significativos não só nas conexões e tecnologias subdjacentes, mas também na economia e produtividade:

“O 5G é a chave para a revolução na produtividade, que é um dos maiores problemas que temos no Brasil hoje. A segurança é a base do sucesso de todo o ecossistema do 5G. As redes privativas trarão as possibilidades de novas aplicações e suportar o crescimento econômico, e a questão da pandemia nos mostrou que as conexões de casa representam uma nova dimensão a ser observad.a E por fim, o timing é crucial para a produtividade da revolução do 5G”, analisou.

“Nós temos que repensar nossas fábricas, nossos processos de distribuição e logísticas, nosso processo de automação em hospitais, tudo em função das novas possibilidades em tecnologia que virão com o 5G”, complementou o palestrante, que também respondeu a perguntas dos espectadores.

Adiamento do leilão do 5G

Também participante da palestra que iniciou o sexto dia do evento, Ari Lopes falou sobre o impacto do adiamento do leilão das redes 5G, causado em virtude da pandemia do novo coronavírus:

 “Existem algumas maneiras que podemos pensar a esse respeito, e a Anatel já vem pensando nisso com metas de cobertura, então no próprio leilão de frequências os vencedores ganham junto a obrigação de levar para áreas não viáveis. Existem também os novos players que desejam fazer esse tipo de cobertura para regiões mais limitadas técnicamente”, explicou. “Certamente existe um impacto. Quanto antes começarmos, maior será o impacto positivo.”

Para Wilson, a chegada da rede começará a ser implementada em breve, mas as redes 4 e 4.5 G seguirão como base para o país por alguns anos.

 “Imagino que teremos uma grande preparação das redes em 2020, em 2021 já uma implementação do 5G em ambientes corporativos, e a partir disso, com ele mais presente, ele começa a ter mais acesso também. Eu saio da empresa com o telefone 5G e venho pra casa, então essa necessidade aumenta. O 4G deve ficar como base até 2025, mas uma combinação dos dois elementos com a evolução das redes deve acontecer nos próximos anos”, explicou.

Impacto da pandemia para as smart cities

Wilson falou ainda sobre como o isolamento social forçado pela pandemia poderá impactar a questão das smart cities, mudando aspectos de locomoção para a conectividade, como exemplifica o especialista:

“Acho que muita gente descobriu que é possível trabalhar de dentro de casa, muitas escolas também perceberam que parte das aulas podem ser feitas pelos alunos em casa, então isso pode impactar nossa ideia de locomoção e conectividade. Então creio que teremos uma redução nas necessidades de locomoção e um aumento nas necessidades de conectivdade, tanto no ambiente particular quanto no ambiente público.”

A questão do OpenRAN

Na sequência, tanto Ari quanto Wilson também participaram do primeiro painel do dia, que teve como tema “OpenRAN: Acelerando o Desenvolvimento da Rede 5G através da sua Arquitetura Aberta, Fragmentada e Flexível”.  Moderado por Ari Lopes, o debate iniciou-se com fala de Wilson, dando sequência a aspectos já abordados na palestra inicial.

 “Existe uma grande confusão em todo o tema OpenRAN. O que nós temos são duas bases de discussões do tema: uma que é a ORAN Alliance, formado por várias operadoras, e outra que é o TIP, fundado pelo Facebook”, introduziu o painelista.

Para ele, a padronização é a chave para que a tecnologia siga evoluindo em prol de todos os envolvidos no país.

“O que nós tentamos é trazer tudo isso em termos de padronização. Do ponto de vista de tecnologia, pro pessoal mais experiente como eu, nós tentamos fazer uma primeira aberutra nos anos 1990, isso na rede fixa, onde tentávamos fazer uma composição das centrais telefônicas nos meios de acesso. Isso teve um grande sucesso, e no fim nós nunca chegamos a ter o mesmo desempenho de uma central única”, rememorou. E prosseguiu: “O que todos buscam é possibilitar ter uma diversidade de fornecedores nas redes.”

Benefícios para os usuários

Ainda segundo wilson, o aspecto poderá determinar experiências melhores para os usuários que, em última instância, buscam serviços de maior qualidade e eficiência:

“Do ponto de vista do usuário, eu quero meu celular cada vez mais patente, como nós discutimos redes privativas, e tudo está dentro desse entorno. E não é só trazer conectividade, mas conectividade, segurança e latência, tudo isso combinado na rede”, afirmou.

Outro convidado do painel,  Atila Branco,  Network Planning Director da VIVO, falou sobre suas opiniões do tema e levanto pontos como a desagregação entre software e hardware:

“Na nossa visão, o Open é uma desagregação das arquiteturas que a gente tem hoje que são absolutamente proprietárias, definidas pela OpenRAN Alliance, e tem algumas coisas pelas quais nós ajudamos no processo tanto de definição quanto de propagação. Primeiro é a desagregação de software e hardware, sobretudo na banda base, e a utilização de servidores abertos. Acho que isso é fundamental pois esse é um ambiente propício, como o Marco comentou, a definições por software. Todas essas tecnologias de alguma maneira estão presentes, e a base disso tudo é a desagregação e utilização de servidores comerciais”, afirmou.

E prosseguiu: “O mercado está muito centralizado, a gente precisa de alternativas. Elas fomentam a inovação, a redução de custos, a possibilidade de utilizar essa mesma infraestrutura para outras tecnologias, e podemos falar de ad computing, IoT, e você pode ter um compartilhamento dessas funcionalidades nos mesmos equipamentos.”

Colaboração para o avanço

Para Branco, as ações nesse sentido permitirão com que o segmento tenha maior competitividade e colaboração, o que, em última instância, gerará benefícios para todos os elos da cadeia.

“Com isso permitimos que novos fornecedores façam parte do jogo, e acho que todos saem ganhando, tanto os consumidores quanto as operadores. E acho que tudo isso se fala através de protocolos de interfaces abertas, isso é essencial”, afirmou. E prosseguiu: “Essa fragmentação de rede precisa estar em um padrão mais evoluído. A função do OpenRAN Alliance e da nossa participação que de fato essas interfaces abertas existam. Isso é fundamental para que tenhamos mais players sendo desenvolvedores dentro desse mercado.”

O painelista também traçou um paralelo entre inovações realizadas no meio de IT que devem se repetir para as operadoras e servidoras de rede.

 “Pra onde o melhor está indo? Está indo para o ambiente digitalizado, de data center, cloud, e nós também estamos indo, que é um mercado de IT. E esse mercado está se adaptando a isso. Antes você tinha profissionais dedicado a cada função, hoje vemos que todos, em medidas diferentes, são desenvolvedores”, afirma. “E isso se adotou em IT e acho que naturalmente também iremos adotar no mercado de telecom. Então nesse momento de transição acho que vamos precisar adotar um service integrator, de fato.”

Transição para o desenvolvimento

O convidado expôs sua visão sobre o que acredita que irá mudar com os progressos do OpenRAN, como explicou em sua fala:“Olhando para a frente, eu vejo uma atuação de muito mais desenvolvimento, customatização, de ter um ambiente de multiplicidade de funções, que são digitalizados.”

Segundo ele “essa transição é dolorosa, definitivamente a gente precisa de apoio para isso, até que consigamos ter um novo tipo de organização capaz de lidar com esse ambiente multiserviço no qual você tenha que conhecer de fato linguagens de desenvolvimento e codificação e que te permitma ter 70% da operação numa premissa sua e 30% sua, e é uma premissa que teremos que trilhar, e é irrerversível”. E concluiu: “E vejo como um caminho que o 5G terá que trilhar também. Hoje é uma barreira, o modelo em que operamos está sendo desafiado, mas vejo como irreversível.”

Diretor de Engenharia da TIM, Marco Di Costanzo também apresentou sua visão sobre o tema, destacando experiências vivenciadas na empresa onde atua como exemplo da mudança que já está em andamento e deverá ser consolidada. Ele afirma:

“Começamos há três anos com os primeiros data centers no Brasil, e hoje temos 60% das nossas funções virtualizadas. Com esse número já rodando em ambiente digitalizado, podems dizer que são funções altamente business critical. Falando de funções como o EPC já virtualizadas, entre outras. A quase totalidade das funções já estão virtualizadas.”

Para Constanzo, os obstáculos já tem sido assimilados de forma mais natural, e um salto ainda maior é a tendência para o meio.

“Essas são complexididades que nós como operadores estamos enfrentando, e para mim é a continuidade de um percurso já traçado. E falando de network funcion codification, entre outras funções, já estamos estudando como passar elas a serem cloudificadas”, observa. “Então não será apenas virtualizado, mas sim rodando em um ambiente computacional fora das premissas, e não mais dentro. Estudamos muito mas nem Virtual RAN temos hoje, iremos direto para Cloud RAN.”

Manutenção dos padrões

De acordo com o representante da TIM, as preocupações dessa mudança não devem mudar os padrões oferecidos no país, e sim complementá-los. Ele explica:

“Quais preocupações colocamos quando lidamos com transformações desse porte? Então temos o cost to serve, time to serve e quality to serve. O que podemos esperar? Buscamos alcançar indicadores de rede, e não estamos dispostos a abrir mão disso, não queremos passar o custo para o consumidor final”, analisa.

E prosseguiu: “Estabilidade, performance e operabilidade:  se não reunimos esses vetores de qualidade de experiência, não adianta. Tendo essa premissa muito bem clara, começamos a testar em ambiente de laboratório tanto na Itália quanto no Brasil, entre o ano passado e o começo desse ano, funcionalidades em várias bandas.”

“O wireless é um ambiente complexo, para testá-lo é preciso de um ambiente real para medir fatores como propagação, interferência, mobilidade, coisas que não se pode replicar em laboratório, independente de quão avançado seja. Então temos que ir para campo e mostrar essa capacidade para mostrar como operam”, concluiu.

Para Wilson, a centralização eé um caminho natural que permitirá com que as redes deixem o aspecto monolítico e alcancem novos patamares. Ele observa:

“Nós precisamos pegar essa inteligência que está nas mais de 95 mil torres do país e centralizá-las. Onde nós vamos centralizá-las? Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Mas uma vez que isso esteja centralizada e digitalizada, nós poderemos sair desse aspecto monolítico.”

5G e o início da internet

Ainda segundo Wilson, o 5G poderá passar por um caminho semelhante ao que a internet passou nos últimos anos, como analisa em sua visão sobre o tema:

“Todas essas mudanças, e o 5G vem como catalizador, será na tipologia. Nós não vamos escapar das antenas, nem de centralizar elementos de redes. Se lembrarmos da internet de 10 anos atrás, 85% do conteúdo vinha de mais de 20 mil fontes de conteúdo. Hoje essa mesma porcentagem vem de cinco fontes de conteúdo. Com as redes poderá ocorrer algo semelhante. Toda essa mudança impacta a visão que vamos ter do OpenRAN”, observa.

A visão foi endossada por Marco: “Todo esse mainstream de cloud, de data center, de virtualização e de orquestração, vão tomando seu ritmo, se encaixando.”

Impacto nas parcerias

Segundo Atila, os pontos levantados pelos colegas terão ainda um impacto na gestão das operadoras nacionais, que buscarão parceiros prontos para essa nova etapa da conectividade.

“Além da gente repensar o nosso modelo de gestão, e falo de algo mais próativo, utilizando elementos de IA, machine learning e integrações sobretudo com o nosso Big Data, e nem tanto com os sistemas de gestão convencionais, uma coisa que ficou clara é: os nossos parceiros, e a gente precisa testar isso no Brasil também, precisam ser diferentes, ter skills diferentes”, afirma.

Ele conclui: “Não acredito, hoje, em um OpenRAN dedicado à IoT, mas acho qeu vai ser possível ter um tipo de fornecedor e desenvolver que se especialize nesse tipo de funcionalidade. São muitos tipos de funcionalidades possíveis.”

Veja as palestras do Futurecom Digital Summit em: https://videos.netshow.me/informaInscreva-se no evento para acompanhar os painéis dos outros dias desta imperdível realização.

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