- Estratégia e capilaridade: os satélites LEO no radar da alta gestão
- Redes híbridas e continuidade de negócios
- Conectividade como alavanca de produtividade
- Regulação, SLA e segurança de dados
- Tendências: do Direct-to-Device ao Edge Computing
- Brasil como líder regional
Foi lançado mais um episódio da temporada Futurecom Connect, podcast oficial da Futurecom, com foco em temas estratégicos de telecomunicações, TI e inovação. Neste episódio, o apresentador Márcio Montagnani, colunista do portal Itshow, recebe Fabio Alencar, presidente do SINDISAT, e Leandro Gaunszer, diretor-geral da Viasat Brasil e vice-presidente de banda larga fixa para a América Latina, para debater o avanço dos satélites LEO e seu papel nas estratégias de expansão, continuidade e resiliência digital das empresas.
A conversa traz uma análise aprofundada sobre o uso da conectividade orbital como parte essencial das soluções tecnológicas adotadas por grandes corporações e setores estratégicos da economia.
Estratégia e capilaridade: os satélites LEO no radar da alta gestão
A conectividade via satélite deixou de ser uma alternativa remota para se consolidar como parte integrante da matriz tecnológica empresarial. Leandro Gaunszer destacou que, há alguns anos, os satélites ainda eram vistos com ceticismo. Hoje, o cenário é outro. “Faz parte da conversa executiva entender onde os satélites LEO se encaixam, principalmente em áreas fora dos grandes centros, onde outras tecnologias não chegam com eficiência”, afirmou.
Com baixa latência e cobertura em regiões inóspitas, os satélites de órbita baixa se tornaram elementos estratégicos para setores como agronegócio, mineração, logística e energia. Fabio Alencar reforçou que “a tecnologia existe para atender uma demanda reprimida de conectividade. E o satélite entrega exatamente onde a infraestrutura terrestre não consegue alcançar.”
Redes híbridas e continuidade de negócios
Um dos temas centrais do episódio foi a construção de redes híbridas e resilientes. Soluções como SD-WAN, que fazem a gestão inteligente entre múltiplos links incluindo fibra, rádio e satélite foram apontadas como recursos essenciais para a continuidade operacional em ambientes críticos.
Segundo Fabio, o cenário ideal é aquele em que o usuário final sequer percebe qual infraestrutura está operando. “Tenho fibra e satélite em casa. Se uma cai, a outra assume. Essa lógica de redundância precisa estar no DNA das empresas. A aplicação não pode parar.”
Leandro ressaltou que muitos projetos empresariais já adotam essa combinação inteligente de tecnologias, especialmente em locais sujeitos a intempéries ou onde a manutenção da fibra é inviável. “O satélite opera como camada de segurança, um backup confiável para o negócio não parar.”
Conectividade como alavanca de produtividade
O episódio também trouxe dados sobre a correlação direta entre conectividade e produtividade. Leandro mencionou que fazendas conectadas podem ter um salto de até 30% em performance operacional. A adoção de conectividade no campo viabiliza desde aplicações básicas de monitoramento até tratores autônomos e redes privadas LTE.
“A definição da tecnologia ideal deve partir da análise do uso real, dos volumes de dados, da cobertura necessária e do investimento possível. Em muitos casos, a combinação entre IoT, satélite e Wi-Fi local entrega o melhor retorno”, explicou.
Regulação, SLA e segurança de dados
Para o público executivo, questões como compliance, soberania digital e SLA ganham prioridade nas decisões de contratação. Fabio destacou o papel da Anatel como agente regulador e referência no continente, garantindo padrões técnicos e qualidade de serviço.
Leandro complementou com a importância da soberania de dados e da presença local dos provedores de satélite. “Empresas precisam saber onde os dados estão armazenados, qual a política de segurança e quem responde juridicamente no Brasil. Isso é estratégico, especialmente em setores com dados sensíveis.”
Tendências: do Direct-to-Device ao Edge Computing
O futuro da conectividade orbital foi pauta do bloco final. Leandro apresentou o avanço da tecnologia Direct-to-Device, que permitirá a conexão direta de celulares e sensores a satélites, sem a necessidade de antenas externas. A iniciativa segue protocolos padronizados (3GPP Release 17), ampliando a interoperabilidade entre redes móveis e satelitais.
Fabio destacou a importância do Edge Computing para aliviar as redes centrais, reduzir latência real e otimizar o uso de banda. “Cada vez mais será possível processar dados nas pontas, sem sobrecarregar os backbones. Essa inteligência distribuída será essencial para lidar com o aumento exponencial de dados.”
Brasil como líder regional
Ambos os especialistas reforçaram o papel de liderança do Brasil na América Latina em conectividade via satélite. Além do mercado interno robusto, o país possui regulação madura, operadores locais e projetos de grande escala como o Siga Antenado e a ampliação da conectividade escolar.
“Somos um mercado prioritário globalmente. Os volumes são altos, a diversidade de aplicações é enorme e o setor está pronto para escalar”, afirmou Fabio.
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