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Ecossistemas 5G: Muito além do leilão do espectro

Se o 4G mudou a vida das pessoas, o 5G transformará a sociedade. Há, portanto, um entendimento que é comum a toda a indústria de telecom de que o 5G trará transformações mais incisivas na produtividade e forma de trabalhar da maior parte dos setores da economia.

Quando se fala em 5G, possivelmente muitos usuários pensam em como será o seu smartphone 5G e quais serviços diferenciados poderão utilizar com a nova tecnologia. E nada mais justo do que pensar dessa forma, pois, afinal de contas, o 4G transformou radicalmente a vida das pessoas – principalmente com as redes sociais e os serviços de streaming.

Porém, na Huawei costumamos dizer que, se o 4G mudou a vida das pessoas, o 5G transformará a sociedade. Há, portanto, um entendimento que é comum a toda a indústria de telecom de que o 5G trará transformações mais incisivas na produtividade e forma de trabalhar da maior parte dos setores da economia.

Leia mais: O 5G como ferramenta de reinvenção das indústrias de entretenimento

Ainda recentemente, a Omdia apontou que a implementação do 5G no Brasil tem potencial para gerar um aumento de um ponto percentual no PIB do País, em média, por ano, entre 2021 e 2035. Desta forma, nesse período de 15 anos, haveria um ganho de US$ 1,1 trilhão no PIB nacional.

Mas, mais do que falar dos possíveis impactos transformadores dos vários setores de atividade, da agricultura aos serviços, passando pelas indústrias, é preciso salientar a ideia que para que este número seja atingido, não é suficiente instalar uma rede 5G e logo os resultados aparecerão.

É necessário nos colocarmos em um contexto de uma Revolução Industrial onde as Tecnologias de Informação e Comunicações (TICs) desempenham um papel de motor da transformação, similar ao que outrora foi o motor a vapor ou da energia elétrica (na Revolução Industrial original).

Então, podemos enxergar que esse motor de transformação industrial é composto por três camadas tecnológicas. A primeira delas é a camada das tecnologias de comunicação, onde o 5G é, possivelmente, a mais disruptiva tecnologia por permitir latência mais baixa, maior largura de banda e uma infinidade de conexões simultâneas. Mas tecnologias como o 10GPON ou WiFI 6 também contribuem para a melhoria da camada de comunicação.

Na segunda camada temos a computação inteligente, na qual consideramos as tecnologias como o Big Data, Cloud, Edge Computing e a Inteligência Artificial. Se a economia está cada vez mais digitalizada, estas tecnologias são essenciais para o tratamento massivo de quantidades cada vez maiores de dados e, principalmente, de uma forma cada vez mais inteligente. Ou seja: de uma forma onde os dados são tratados para se aprender a lidar com novas situações de maneira automatizada e autônoma.

E, finalmente, na terceira temos a camada aplicacional, onde se desenvolvem as aplicações verticais específicas de cada setor de atividade. Diferentemente das anteriores, esta camada tem a particularidade de ser muita específica de cada uma das indústrias. O desenvolvimento de aplicações verticais que tiram partido das duas camadas de baixo só poderá ser feita pelos players que conhecem os problemas específicos de cada indústria e propõem soluções para esses problemas.

Daqui já é fácil imaginar que o ecossistema do 5G é muito mais vasto do que as operadoras de Telecom e dos fornecedores da tecnologia de comunicação. Na camada de computação inteligente, os players de Cloud já se posicionam no Brasil. E os ecossistemas de ARM começam a despontar muitos players partindo das aplicações para Android baseadas nessa arquitetura.

Na camada aplicacional, cada vertical verá o seu próprio ecossistema se desenvolver para aproveitar as novas tecnologias, resolvendo problemas específicos dessa indústria através de aplicações focadas em suas atividades.  

E podemos também enxergar que muitos players vão se posicionar de forma complementar às operadoras de telecom, na integração vertical das camadas: comunicação, computação e aplicações.

Por isto, creio que podemos concluir que o 5G no Brasil vai muito além do leilão do espectro e das operadoras que vão participar no mesmo. O 5G no Brasil, que se entenda aqui no sentido do desenvolvimento de uma indústria brasileira eficiente e sustentável, depende muito de muitos players, atuando de preferência em ecossistemas abertos e competitivos, sejam eles em nível horizontal (infraestruturas de comunicação e computação) ou nas verticais (aplicações para cada indústria). Ganha o Brasil. Ganha a sociedade.

E para não deixar vago o que são esses ganhos, vale aprofundar que consistem em aumento de padrão de salários e criação de emprego. Em relação ao primeiro, quando falamos em eficiência, tocamos em um ponto muitas vezes não devidamente compreendido pelos cidadãos: as economias que pagam melhores salários são aquelas com maior produtividade. Então, contribuir para o aumento da eficiência das indústrias é contribuir para melhores padrões de salários.

Em relação ao segundo ganho, devemos olhar para as camadas de transformação tecnológica. Na camada de conectividade, falamos de um setor cujos principais players são fornecedores globais e operadoras locais. Com o fornecimento e operação no 5G similares ao 3G ou 4G, então, não é daí que é esperado um ganho vagas no mercado de trabalho.  

Esta expectativa de um aumento expressivo de empregos poderá ter mais chance de ser cumprida nas camadas de computação inteligente e de aplicações verticais. É nelas que o “5G Localizado” será materializado. Só localmente será possível identificar os problemas e as respectivas soluções das indústrias brasileiras, no caso. Portanto, será o aproveitamento da conectividade 5G para o desenvolvimento de soluções verticais, com computação inteligente locais, que levará à geração de empregos 5G no Brasil.

É por isso que começar desde já a mobilizar os diversos ecossistemas verticais da economia brasileira para tirarem partido das tecnologias de informação e computação, de forma aberta e concorrencial, é, a meu ver, um pilar que pode e deve ser aproveitado para acelerar um processo de retomada econômica no Brasil.

*Carlos Roseiro, diretor de Soluções Integradas da Huawei do Brasil. É formado em Economia pela ISEG - Lisbon School of Economics & Management e é mestre em Economia pela mesma universidade. Com longas passagens pelos departamentos de Marketing de grandes operadoras, como Portugal Telecom, Vivo e TIM, Roseiro está na Huawei do Brasil há três anos.O executivo é um dos principais porta-vozes da Huawei, representando a companhia em congressos como o Mobile World Congress em Barcelona, debatendo sobre tópicos como a tecnologia 5G.

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