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Conectividade sem motor, o agro não avança na velocidade necessária

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Por Juliana Chini, Gerente de Marketing Sênior Latam na Arable. Confira!

A transformação digital do agronegócio avança globalmente e acelera conforme a necessidade do aumento de produtividade frente às mudanças climáticas se torna cada vez mais desafiadora. Por este motivo, nos últimos anos, vimos uma corrida tecnológica para o desenvolvimento de soluções que atuam antes, dentro e fora da porteira, utilizando o que há de mais avançado para resolver todos os tipos de dores do setor. 

Entre as tecnologias emergentes, como internet das coisas (do inglês "internet of things”, ou IoT), nuvem, inteligência artificial e blockchain, todas já são encontradas não só na agroindústria, logística e varejo, mas também dentro da porteira, para gestão da produtividade agropecuária como um todo. 

Porém, tanto o desenvolvimento tecnológico como a adoção de soluções inovadoras estão enfrentando uma barreira na América Latina: a conectividade. Em pleno 2023, temos mais de um terço da população da região que continua sem conectividade. E a disparidade entre o urbano e o rural torna o cenário ainda mais complexo. 

Conectividade em áreas rurais na América Latina

Cerca de 72 milhões de pessoas que vivem em áreas rurais da América Latina e Caribe não têm acesso à conectividade com padrões mínimos de qualidade. Estes dados são do relatório “Conectividade rural na América Latina e no Caribe: estado de situação, desafios para a digitalização e o desenvolvimento sustentável”.

Desenvolvido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) com apoio do Banco Mundial, Bayer, CAF-Banco de Desenvolvimento da América Latina, Microsoft e Syngenta, a publicação apresenta um verdadeiro diagnóstico para o período 2020-2022.

Embora os dados apresentem uma melhora de 12% na conectividade significativa rural em relação ao estudo anterior publicado em 2020, o estudo considera este valor “alarmante”.

Os 26 países do relatório foram classificados em três clusters conforme a percentagem de conectividade significativa rural (ICSr), sendo de baixo, médio e alto nível de ICSr. O Brasil foi classificado como nível alto. 

Também há uma disparidade no acesso a serviços de conectividade significativos quando comparamos regiões rurais com as urbanas. Enquanto 79% da população urbana dos países analisados possuem acesso a serviços de conectividade significativos, apenas 43,4% da população rural possui o mesmo acesso.

Segundo o estudo, entre os principais desafios para o acesso à conectividade nas áreas rurais na América Latina e Caribe estão: 

  • “Os obstáculos persistentes na maioria dos países no uso de fundos de acesso universal”;
  • “Problemas na instalação pelo estado da infraestrutura dos países (falta de eletricidade, condições das rodovias etc.)”;
  • “Custos elevados de investimento e menor rentabilidade para as empresas operadoras”, 
  • “Falta de estímulos que fomentem os investimentos em zonas rurais”; e
  • “Inacessibilidade aos territórios mais afastados que impedem o avanço da conectividade”.

Conectividade em áreas rurais no Brasil

Só no Brasil, ainda segundo o estudo do IICA, 13 milhões de pessoas não possuem conectividade adequada nas áreas rurais, número maior do que a população da cidade de São Paulo. 

Além disso, 73% das propriedades rurais de norte a sul do Brasil ainda estão desconectadas, segundo o Ministério da Agricultura e a associação sem fins lucrativos ConectarAgro, são cerca de 195 milhões de hectares que permanecem “off line” no país. 

O motor da tecnologia do agro precisa acelerar

Como eu comentei anteriormente, todas as tecnologias emergentes já estão sendo aplicadas no setor. E, para quem caminhou pelas ruas lotadas de um público ávido por inovação na Agrishow, a segunda maior feira de tecnologia agrícola do mundo, certamente se deparou por maquinários cada vez mais robustos, inovadores, e que dependem de uma crescente transmissão de dados. 

Uma máquina não funciona sem motor, assim como as soluções tecnológicas não avançam sem conectividade. 

A América Latina é responsável por 14% da produção mundial de alimentos, superando a América do Norte e é considerada pela ONU como “a chave para alimentar a 10.000 milhões de pessoas em 2050”, embora enfrente problemas graves com a fome e seja uma das regiões que mais será afetada pelas mudanças climáticas, que podem comprometer o PIB LATAM em até 20%

Investir em tecnologia e inovação não é mais uma opção, é mandatório para a região. Porém, de nada adianta já pensar em um “agro 5.0”, se não há uma infraestrutura básica. Conectividade não é luxo embora sua ausência aumente as desigualdades nos países emergentes.

Para resolver o problema de conectividade na região, o relatório do IICA defende uma concomitância de políticas públicas, a participação do setor privado e a cooperação internacional. 

Para economistas do Banco Mundial, investimentos públicos, privados e multilaterais de impactos regionais são necessários e um fundo de desenvolvimento digital poderia beneficiar a região. Como outra sugestão, a International Finance Corporation (IFC) como liderança nesta área de forma a apoiar investimentos e realizar serviços de consultoria que simplifiquem estruturas de parcerias público-privadas (PPP). 

E, segundo o meu colega Mauro Periquito, especialista no tema e também colunista aqui na Futurecom Digital, não existe uma única solução para todos os casos de uso. 

Portanto, é essencial colocarmos os temas relacionados à infraestrutura do “agro inovador” em pauta para priorizar pautas urgentes, como a conectividade, na agenda do setor. Sem motor, não aceleramos na velocidade necessária. 

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