O ar sempre esteve cheio de movimento. Muito antes de entendermos sua natureza, ondas viajavam por ele, carregando informações que só a natureza sabia decifrar. O som do vento, o estrondo do trovão, a ressonância dos pássaros.

Tudo isso já era comunicação antes mesmo da nossa existência.

O que mudou?

Nossa capacidade de interpretar e usar essas forças a nosso favor.

A história das telecomunicações não começa com Alexander Graham Bell, Guglielmo Marconi ou Claude Shannon. Começa com a própria natureza.

Os campos eletromagnéticos sempre estiveram aqui. O espectro sempre existiu. Nós só aprendemos a enxergá-lo e moldá-lo.

A conexão que nasceu da natureza

Séculos atrás, mensagens eram enviadas pelo fogo, pela fumaça, pelo eco. O homem sempre buscou na natureza formas de estender sua voz para além do que os olhos podiam alcançar.

Mas foi com o trabalho de Hans Christian Ørsted, em 1820, ao demonstrar que a eletricidade e o magnetismo estavam conectados, que a base do eletromagnetismo começou a ser formada.

Depois, em 1864, James Clerk Maxwell formulou as equações que descreveram matematicamente as ondas eletromagnéticas, prevendo que a luz e as ondas de rádio eram manifestações do mesmo fenômeno físico.

E em 1888, Heinrich Hertz provou experimentalmente que essas ondas podiam ser geradas e captadas artificialmente. O que antes era um fenômeno natural invisível tornava-se, agora, uma ferramenta tecnológica.

Então vieram os avanços:

  • 1876 – Bell inventa o telefone. O som viaja por fios, e a distância começa a desaparecer.
  • 1895 – Marconi envia o primeiro sinal de rádio. A comunicação sem fio nasce.
  • 1927 – Primeira transmissão de TV. A imagem ganha movimento e invade as casas.
  • 1957 – O Sputnik leva o primeiro satélite ao espaço. O sinal agora cobre o planeta.
  • 1969 – ARPANET, a precursora da internet, conecta os primeiros computadores. A informação começa a viajar digitalmente.
  • 1990 – A web nasce. O mundo se torna acessível a um clique de distância.
  • 2015+ – 5G, fibra óptica e IoT tomam forma. A comunicação se torna instantânea e onipresente.

Do ar à fibra: a natureza sempre foi o meio

O rádio usou as ondas eletromagnéticas do ar.
A telefonia usou o cobre e seus impulsos elétricos.
A fibra óptica revolucionou ao usar a própria luz como transporte de dados.

Mais uma vez, não criamos nada novo. Apenas aprendemos a usar a própria física da natureza.

A fibra óptica é um dos melhores exemplos disso. Sua matéria-prima principal, sílica ultrapura (dióxido de silício – SiO₂), vem de depósitos de quartzo e areia com alta concentração desse mineral. Após um rigoroso processo de purificação, essa sílica se transforma em cabos que hoje transmitem terabytes de informações por segundo.

O espectro eletromagnético, um recurso natural invisível, hoje carrega nossas chamadas, nossos vídeos e toda nossa vida digital.

O 5G usa frequências milimétricas que sempre estiveram aqui, apenas esperando para serem utilizadas.

A internet via satélite reflete sinais na ionosfera e entrega conectividade a qualquer canto do planeta, assim como os raios solares sempre viajaram pelo cosmos para nos alcançar.

Nada disso é magia.

É natureza e tecnologia em harmonia.

O futuro da conectividade está na natureza

Se há algo que aprendemos com a história das telecomunicações é que nunca inventamos comunicação do zero – apenas interpretamos e aprimoramos os recursos naturais disponíveis.

E agora, para onde vamos?

  • Óptica quântica? Utilizando partículas subatômicas para comunicação instantânea.
  • 6G e além? Ondas terahertz para velocidades inimagináveis.
  • Computação holográfica? Interagindo com informações suspensas no ar.
  • FWA (Fixed Wireless Access)? Integrando fibra e rádio para ampliar o acesso em áreas remotas.

A natureza já tem todas as respostas.

Cabe a nós continuar ouvindo, decifrando e transformando o invisível em conexão.

A conectividade sempre existiu.

Nós apenas a traduzimos.

* Por Matheus Cofferri, especialista em conectividade, inovação e crescimento de mercado de ISPs.