O conceito de governança corporativa está passando por uma evolução significativa, deixando de ser apenas um conjunto de normas e legislações para se tornar uma prática cultural que permeia todas as camadas das organizações.

Segundo Érica Delgado, executiva da Womcy, “a governança começa quando a ética deixa de ser um discurso e passa a ser uma prática cotidiana, visível em todas as camadas da organização”. Essa visão reflete a necessidade de consolidar uma cultura ética que guie decisões e construa confiança entre empresas, investidores e a sociedade.

O impacto da Transformação Digital e da Inteligência Artificial

Com o avanço da transformação digital e da inteligência artificial, novos dilemas éticos têm surgido, exigindo maior transparência e responsabilidade das empresas.

Marcelo Mendes dos Santos, CISO da Neo Hypeone, explica que “a tecnologia ampliou a necessidade de transparência. Não apenas sobre dados, mas sobre a forma como as decisões são tomadas”. Essa transparência, segundo ele, é essencial para manter a confiança em um ambiente de rápidas mudanças.

Felipe de Araujo Monteiro, advogado-sócio da Kasznar Leonardos, reforça a importância de estruturas de compliance que acompanhem o ritmo da inovação. “As empresas precisam de estruturas de compliance que acompanhem a inovação, sem travar o avanço, mas garantindo responsabilidade e accountability”, afirma. Ele destaca que o equilíbrio entre inovação e ética é um dos maiores desafios para as organizações modernas.

Formação contínua e diversidade de pensamento

Em painel durante o Futurecom 2025, Carlos Alberto da Costa, CEO da JC2Sec, enfatizou que investir em formação contínua e incentivar a diversidade de pensamento são pilares fundamentais para uma governança efetiva. Segundo ele, a diversidade traz perspectivas diferentes, enriquecendo a tomada de decisão e fortalecendo a cultura organizacional.

O consenso entre os especialistas é evidente. Ética e governança não são apenas obrigações, mas diferenciais competitivos no mercado atual.