A mineração sempre desempenhou um papel estratégico na economia global, fornecendo insumos para setores que vão da construção civil à indústria tecnológica.
Porém, o modelo tradicional de exploração de recursos naturais trouxe consigo graves impactos ambientais, como degradação do solo, contaminação de rios e destruição de habitats.
Nos últimos anos, a pressão social e regulatória por práticas responsáveis acelerou a adoção de tecnologias que buscam equilibrar produção, sustentabilidade e eficiência operacional.
De acordo com Eduardo Martins, engenheiro e gerente de vendas da SKF, “a sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma estratégia operacional inteligente”.
Ele destaca que métodos sustentáveis já integram automação, inteligência de dados e soluções técnicas capazes de reduzir custos e impactos negativos, tornando as operações mais competitivas.
Saiba mais nos parágrafos a seguir!
As principais diferenciais da mineração sustentável
Enquanto a mineração tradicional prioriza a extração em larga escala, muitas vezes sem controle rigoroso sobre o consumo de recursos e manutenção dos equipamentos, a mineração sustentável aposta na integração entre tecnologia e gestão.
“Hoje vemos o uso crescente de sensores, monitoramento remoto, manutenção preditiva e sistemas automáticos de lubrificação que reduzem falhas, otimizam insumos e prolongam a vida útil dos equipamentos”, explica Martins.
Essa transformação está alinhada aos conceitos de Indústria 4.0, nos quais a coleta e análise de dados em tempo real tornam-se fundamentais para a tomada de decisões mais precisas. O resultado são operações mais seguras, eficientes e ambientalmente responsáveis.
Indicadores ambientais e econômicos
A adoção de tecnologias sustentáveis gera melhorias mensuráveis em indicadores-chave de desempenho. Segundo Martins, cerca de 30% da energia consumida na mineração se perde por atrito, um problema que pode ser reduzido com o uso de rolamentos de alta performance e lubrificação precisa.
Além disso, conforme o engenheiro, a prática de repotencialização de rolamentos pode reduzir em até 66% as emissões de CO₂, além de triplicar a vida útil dos equipamentos em comparação à substituição tradicional.
Já os sistemas centralizados de lubrificação permitem diminuir em 30% o consumo de lubrificantes, graças a uma dosagem precisa e intervalos otimizados.
Esses avanços reduzem custos operacionais e atendem às exigências regulatórias e ambientais, tornando a mineração mais competitiva em um cenário de transição energética.

O papel da inteligência artificial na mineração sustentável
A Inteligência Artificial (IA) tem se consolidado como uma das ferramentas mais estratégicas no setor. Em operações de mineração, a IA é aplicada em sistemas de monitoramento preditivo que analisam dados de sensores e identificam padrões de falha antes que eles causem paradas não programadas.
Na SKF, por exemplo, a tecnologia Condition Assisted Lubrication (CAL) ajusta automaticamente a lubrificação de equipamentos conforme a necessidade, evitando desperdícios e prevenindo danos que poderiam levar a falhas graves.
“A IA não só melhora a confiabilidade dos ativos, como também otimiza o uso de recursos naturais e reduz o impacto ambiental das operações”, ressalta Martins.
Além disso, plataformas integradas permitem que gestores visualizem, em dashboards interativos, o estado de saúde dos ativos, projetem cenários futuros e planejem intervenções com base em simulações, reduzindo riscos e custos.
Manutenção preditiva: prevenção e eficiência
A manutenção preditiva baseada em dados é um dos pilares da mineração moderna. Com sensores inteligentes e análise avançada, é possível identificar problemas em componentes críticos, como rolamentos e sistemas de lubrificação, antes que eles comprometam a produção.
“Na mineração, cada hora de equipamento parado representa prejuízos expressivos”, afirma Martins.
Ele explica que, ao antecipar falhas, a manutenção preditiva reduz o desperdício de peças, lubrificantes e horas de trabalho, além de aumentar a segurança dos trabalhadores e a confiabilidade dos processos.
Monitoramento ambiental automatizado
As tecnologias de monitoramento com IA não se limitam à manutenção de ativos. Elas também têm papel decisivo na gestão ambiental e na conformidade regulatória.
Sistemas avançados analisam em tempo real dados como vibração, temperatura, consumo energético e intervenções realizadas, permitindo identificar mudanças que possam indicar risco ambiental antes que atinjam níveis críticos.
Com isso, as empresas podem agir preventivamente, garantindo que as operações estejam alinhadas a metas de sustentabilidade e às exigências de órgãos reguladores.
Economia circular aplicada à mineração
O conceito de economia circular também é importante. Conforme comenta Martins, a SKF, por exemplo, desenvolveu sistemas de nanofiltragem de óleo, como a tecnologia RecondOil, que permitem regenerar o óleo lubrificante praticamente de forma indefinida.
Isso reduz em até 99% o impacto ambiental em comparação com o descarte tradicional, além de gerar economia significativa.
Além disso, a repotencialização de rolamentos e a utilização de componentes projetados para maior durabilidade diminuem a necessidade de produção e transporte de novas peças, reduzindo emissões de carbono na cadeia logística.

Tecnologias com melhor custo-benefício
Entre as soluções mais viáveis do ponto de vista econômico, Martins destaca:
- Rolamentos bipartidos, que, apesar do investimento inicial mais alto, reduzem significativamente o tempo de reparo e o impacto na produção;
- Vedações de grande porte para moinhos SAG e de bolas, que evitam contaminação e prolongam o tempo médio entre falhas;
- Rolamentos vedados SRB, que impedem a entrada de contaminantes e têm vida útil três vezes maior que os convencionais; e
- Sistemas de nanofiltragem de óleo, que transformam um insumo tradicionalmente descartável em um ativo reutilizável.
Segundo o especialista, essas tecnologias já estão em uso no mercado brasileiro, com resultados comprovados em campo.
Financiamento e incentivos para inovação
A viabilidade econômica da mineração sustentável também depende de incentivos governamentais.
No Brasil, programas como Inova Mineral (BNDES/Finep) e o novo edital de R$ 5 bilhões para minerais estratégicos oferecem crédito e subvenções para empresas que investem em descarbonização, transição energética e tecnologias limpas.
Esses recursos podem ser aplicados desde a pesquisa e desenvolvimento até a implementação em larga escala, acelerando a transformação do setor.
Mineração como base da transição energética
Para Martins, a mineração sustentável é fundamental para viabilizar a transição para uma economia de baixo carbono.
“Sem mineração responsável, não há veículos elétricos, baterias ou turbinas eólicas. Minerais como lítio, níquel e terras raras são essenciais para tecnologias limpas, mas precisam ser extraídos com o menor impacto possível”, afirma.
Nos próximos anos, ele prevê que o setor será cada vez mais digital, conectado e orientado por dados, com a sustentabilidade como diferencial competitivo e exigência global.
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