As demandas contemporâneas exigem conectividade em qualquer ponto do mapa, da floresta amazônica às áreas mais isoladas da cordilheira dos Andes.
Afinal, saúde, educação, negócios e muitas outras áreas demandam, hoje, de conexão de qualidade para serem executadas. É aí que entram os satélites de baixa órbita.
Para entender como essa tecnologia vem ganhando protagonismo, ouvimos Oscar Delgado, diretor de vendas na América Latina da Myriota, empresa especializada em conectividade via satélite. Os especialista compartilhou conosco os principais aspectos do funcionamento e da aplicação dos satélites de baixa órbita, os chamados Low Earth Orbit (LEOs).
LEOs: alcance onde ninguém mais chega
Os satélites de baixa órbita têm encontrado seu maior campo de atuação justamente onde as redes convencionais não chegam.
“A maior penetração hoje ocorre em regiões remotas e com baixa infraestrutura terrestre, especialmente na América Latina”, explica Delgado.
Ele cita como exemplos o interior da Amazônia, o Pantanal, o Cerrado brasileiro e zonas montanhosas do Chile, do Peru e da Colômbia.
Nessas regiões, a conectividade tradicional por fibra óptica ou sinal celular enfrenta barreiras técnicas e logísticas. Já os LEOs, que orbitam a Terra a altitudes entre 500 e 2.000 km, conseguem fornecer cobertura ampla, com menor latência e maior estabilidade.
“É uma solução prática e eficiente para ambientes de difícil acesso, onde o custo de infraestrutura terrestre é proibitivo ou simplesmente inviável”, completa o executivo.
Solução híbrida: satélite + redes terrestres
Ao contrário do que se imagina, a proposta não é substituir as redes terrestres, mas complementá-las. Segundo Delgado, a conectividade via satélite LEO funciona como uma extensão das redes já existentes.
“Em locais com infraestrutura, como redes celulares ou Wi-Fi, os dispositivos se conectam normalmente. Mas quando entram em zonas remotas, os mesmos equipamentos passam a usar o satélite automaticamente”, detalha.
Além de expandir a cobertura, os LEOs têm um papel estratégico em situações de contingência. “A tecnologia pode manter a comunicação mesmo quando há falhas na rede principal, seja por falta de energia, desastres naturais ou instabilidades climáticas que afetam as redes convencionais”, afirma Delgado. Essa resiliência é crucial em regiões sujeitas a chuvas intensas, enchentes ou deslizamentos.
A oportunidade para os pequenos provedores
Com a chegada dos LEOs, pequenos provedores de internet passaram a enxergar uma nova janela de oportunidades, e não uma ameaça.
“Essa tecnologia permite oferecer serviços com baixo custo e pouca exigência de infraestrutura local, o que é excelente para provedores regionais e ISPs de pequeno e médio porte”, diz Delgado.
Segundo ele, os LEOs estão ajudando esses agentes a ampliar a atuação para áreas rurais, com soluções que vão além do acesso à internet:
“Falamos também de monitoramento de ativos, automação agrícola, rastreamento e até conectividade para escolas e unidades de saúde”.
A sinergia entre provedores locais e tecnologia satelital é, portanto, uma via de mão dupla. Enquanto os LEOs viabilizam a entrada em áreas remotas, os ISPs trazem o conhecimento do território, o atendimento local e a agilidade para implementar soluções customizadas.
Impactos no agro, na saúde e na educação
As aplicações práticas dos satélites de baixa órbita já estão transformando setores essenciais da sociedade — em especial o agronegócio, a saúde pública e a educação.
No campo, explica Delgado, os LEOs são usados no monitoramento remoto de variáveis como solo, clima, irrigação e saúde das lavouras.
“Isso permite uma gestão mais inteligente dos recursos e aumento da produtividade, mesmo em regiões sem sinal tradicional de internet”, afirma.
Na área da saúde, os benefícios são igualmente expressivos. A conectividade via LEOs viabiliza serviços de telemedicina, conecta postos de atendimento isolados e permite o envio de dados clínicos com segurança e continuidade.
“Em ações como campanhas de vacinação, rastreamento epidemiológico e resposta a emergências, essa conectividade pode fazer toda a diferença”, reforça Delgado.
Já na educação, os satélites de baixa órbita possibilitam o acesso a plataformas de ensino digital, comunicação entre escolas rurais e secretarias de educação.
De acordo com Delgado, os satélites de baixa órbita contribuem até mesmo para o uso de dispositivos móveis com conteúdos pedagógicos atualizados. Isso permite, por exemplo, atividades de educação a distância.
Muito além do futuro: uma realidade presente
Apesar de parecer tecnologia de ponta reservada ao futuro, os satélites LEO já são uma realidade em expansão. Empresas vêm acelerando a presença na América Latina com soluções de Internet das Coisas (IoT) via satélite, integradas a dispositivos simples e de baixo consumo energético.
“Estamos falando de uma revolução silenciosa, mas extremamente poderosa”, conclui Oscar Delgado. “A capacidade de conectar qualquer lugar do planeta, de forma acessível e escalável, abre novas perspectivas para inclusão digital, desenvolvimento social e inovação”, finaliza.
Tags