Enquanto países como Estados Unidos e Coreia do Sul começam a testar algumas ativações, no Brasil o 5G dá seus primeiros passos. No entanto, quando se discute a criação de redes, é preciso entender como elas funcionarão de fato. Afinal, como entregar tamanha performance em conexão? É aí que entra a densificação de redes.
Se você está familiarizado com o assunto, sabe o potencial do cenário e das promessas do 5G. Seu nível de entrega é sem igual: internet de até 20 gigabytes por segundo. No papel, é algo incrível, assim como na prática. Mas a capacitação técnica para uma conexão desse tipo não é nada fácil.
Veja bem: o 4G é capaz de entregar 1 gigabyte por segundo como velocidade máxima de conexão. Para tanto, precisa de, aproximadamente, uma célula de rede móvel a cada 2 km.

Já para o 5G, considerando ainda as ondas milimétricas, essa necessidade reduz 1,5 km, com uma célula de fibra óptica a cada 500 m. Ou seja: cobrir uma região metropolitana inteira vai exigir milhões de km² de cabos.
Se considerarmos as tendências tecnológicas e digitais da Business Insider Intelligence, serão mais de 77 milhões de carros conectados em 2025, o que representa um aumento de 133% em comparação a 2017. Tudo isso evidencia a necessidade de redes mais rápidas, otimizadas e integradas.
É justamente visando isso que se aposta tanto na densificação de redes. Mas afinal, qual é o papel desse conceito no bom funcionamento da futura rede 5G no Brasil e no mundo? É o que discutiremos no artigo de hoje.
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O que é a densificação de redes?
Para o 5G funcionar, será preciso muita fibra óptica, pois é essencial ter uma rede capaz de promover a baixa latência necessária.
De acordo com Rafael da Silva Santos, coordenador acadêmico do curso de Redes de Computadores da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), a densificação de redes é o próximo passo na jornada rumo ao estabelecimento do 5G.
Explica o professor: “A densificação nada mais é do que o aumento do volume de utilização de tecnologias e componentes de redes, como o uso e a necessidade de fibra óptica nos dias atuais.”
Para o sucesso do 5G, é preciso de uma rede realmente densa. Esse parâmetro pode ser alcançado com a adição de mais células de rede, desde redes de acesso por rádio até instalações wireless, em pequenas ou grandes células.
Também precisa haver um aumento do número de antenas e uma aderência às tecnologias Multiple Input/Multiple Output (MIMO). Assim, é possível aumentar consideravelmente a capacidade de tráfego disponível.
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Por que a densidade de redes é importante?
No mundo inteiro, já se fala de densificação como uma etapa natural do processo de adequação e modernização de redes — especialmente as fixas, por conta da necessidade da fibra óptica.
No Brasil, segundo o professor Santos, tem a ver com a aprovação da consulta pública para a implementação do 5G no Brasil, realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no começo de 2020.
“Porém, com o atraso do leilão devido à Covid-19, creio que demorará um pouco para entrar em vigor. Estimo que as operadoras iniciem as suas instalações somente no primeiro semestre de 2022”, analisa Santos.
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A relação entre a densificação de redes e o sucesso do 5G
As redes atuais deverão ser capazes de entregar cobertura e velocidades até 10 vezes maiores para cumprir com as exigências do 5G e as demandas da população, que certamente crescerão. Para o professor Santos, a densificação também trará outras mudanças:
“A densificação não é só importante, mas necessária para o aumento de banda, sua capacidade de fluxo de dados e a eficiência espectral do 5G. Isso trará um conjunto de novas oportunidades que as operadoras terão para atingir a demanda em áreas de grande densidade urbana.”
Por isso, é preciso que as operadoras comecem o processo de densificação de redes quanto antes. Adequar-se não é apenas um movimento estratégico, mas uma forma de se preparar para um mercado ainda mais competitivo.
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O possível impacto da densificação de redes
A densificação de redes vai pavimentar o caminho para a chegada do 5G, o que, por si só, já representa um impacto geracional, tanto na esfera social quanto na tecnológica e corporativa.
De acordo com o professor Santos, esse movimento tem o potencial de mudar a forma como pessoas e empresas interagem:
“A partir do 5G, teremos um aumento do uso de tecnologias de automação conectando as redes com casas e tornando as cidades inteligentes. Teremos também um aumento do número de dispositivos e, consequentemente, um aumento de velocidade. Na prática, por exemplo, um filme que hoje você demora de 2 a 5 minutos para baixar no seu 4G levará somente de 2 a 3 segundos para baixar no 5G. Isso, com certeza, proporcionará o surgimento de novos serviços e negócios.
Para ficar por dentro da densificação de redes e seu impacto no 5G e de tudo o que acontece nas áreas de conectividade e inovação tecnológica para o governo, continue acompanhando o Futurecom Digital, o canal de conteúdo da feira Futurecom.
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