A implementação de Zero Trust na indústria deixou de ser tendência e se tornou necessidade. As fábricas estão mais conectadas, integradas a ERPs, nuvem e cadeias globais, e o antigo modelo de redes isoladas já não reflete a realidade do chão de fábrica.
Essa conectividade aumenta a eficiência, mas também amplia a superfície de ataque. A questão central passa a ser como blindar a infraestrutura crítica mantendo a alta disponibilidade exigida pelo chão de fábrica. É nesse ponto que o modelo Zero Trust ganha relevância para ambientes industriais.
De forma direta, o Zero Trust trata-se de um modelo de segurança que elimina a confiança implícita. Nenhum usuário, dispositivo ou sistema é confiável por padrão. Todo acesso é continuamente verificado, dentro ou fora da rede, como define o framework NIST SP 800-207.
Na indústria, Zero Trust vai além da proteção de dados. Ele está diretamente ligado à segurança física, à integridade dos processos e à disponibilidade da produção. Em ambientes OT (tecnologia operacional), segurança e continuidade operacional são inseparáveis.

Por que o modelo de perímetro tradicional falha na Indústria 4.0?
Durante décadas, a segurança industrial se baseou no modelo “castelo e fosso”. Tudo que estava dentro do firewall era considerado confiável. Esse conceito funcionava quando a fábrica era isolada e pouco integrada ao mundo externo.
Na Indústria 4.0, essa lógica não se sustenta. A convergência entre TI e OT ampliou a superfície de ataque. Um acesso indevido em um sistema corporativo pode se transformar rapidamente em um problema no chão de fábrica.
Aqui entra o princípio fundamental do Zero Trust. Nunca confiar, sempre verificar. O modelo parte da suposição de violação. Assume-se que a ameaça já pode estar dentro do ambiente. A partir disso, todo acesso passa a ser controlado, monitorado e limitado ao mínimo necessário.
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Pilares da implementação de Zero Trust no chão de fábrica
A implementação de Zero Trust na indústria não acontece com um único produto ou projeto isolado. Ela se apoia em pilares técnicos e operacionais que respeitam a realidade dos ambientes industriais.
Mindset de verificação contínua
Zero Trust começa como mudança de mentalidade. Cada operador, engenheiro, sensor, PLC ou aplicação precisa ser autenticado e autorizado antes de acessar qualquer recurso.
Na prática, isso significa abandonar acessos genéricos e compartilhados. Cada identidade e cada tentativa de acesso precisa ser validada com base em contexto, função e risco.

Microssegmentação de redes OT industriais
A microsegmentação de redes OT industriais é um dos pilares mais importantes do Zero Trust no ambiente fabril. Em vez de uma rede plana, o ambiente passa a ser dividido em zonas e condutos de segurança.
Esse conceito é alinhado à norma ISA/IEC 62443, referência global em cibersegurança industrial. A segmentação impede o movimento lateral de atacantes. Mesmo que um sistema corporativo seja comprometido, o acesso aos processos críticos permanece isolado.
Gestão de identidade e acesso em sistemas SCADA
A identidade deixa de ser apenas humana. Em ambientes industriais, máquinas, aplicações e serviços também precisam de identidade.
A gestão de acesso privilegiado PAM em SCADA ajuda a controlar quem pode acessar sistemas críticos, quando e por quanto tempo. O uso de acessos temporários (Just-in-Time) reduz riscos, especialmente em manutenções remotas e acessos de terceiros.
Esse pilar é fundamental para equilibrar segurança e continuidade operacional.
Visibilidade passiva e monitoramento
Diferente do ambiente de TI, o chão de fábrica não permite scanners ativos ou testes invasivos. Muitos sistemas legados não toleram varreduras ou comandos simples como ping.
Por isso, o Zero Trust industrial depende da visibilidade passiva. Monitorar o tráfego da rede em tempo real permite criar inventários atualizados, identificar comportamentos anômalos e detectar ameaças sem impactar a produção.

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Principais desafios e soluções para os sistemas legados
Um dos maiores obstáculos à implementação de Zero Trust na indústria é a presença de sistemas legados. Máquinas antigas, sistemas operacionais desatualizados e protocolos sem criptografia ainda são comuns.
A resposta não é substituir tudo. A segurança de endpoints em sistemas legados pode ser feita com camadas compensatórias.
Gateways industriais, firewalls específicos para OT e proxies de segurança atuam como intermediários, aplicando políticas modernas sem alterar a máquina antiga.
Nesse contexto, ganham espaço as ferramentas de ZTNA para chão de fábrica. Elas substituem VPNs tradicionais por acessos mais granulares, baseados em identidade e contexto, reduzindo drasticamente a superfície de ataque.
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Como posso implementar a segurança Zero Trust?
A implementação de Zero Trust na indústria acontece de forma progressiva. Não é um projeto de curto prazo, mas uma jornada estruturada. De forma prática, o processo passa por quatro etapas principais:
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| Mapear | Identificar todos os ativos de TI e OT e os fluxos críticos de dados. |
| Segmentar | Aplicar microssegmentação para isolar processos essenciais. |
| Verificar | Implementar autenticação forte e acesso mínimo necessário. |
| Monitorar | Detectar anomalias e responder rapidamente a incidentes. |
Esse modelo reduz riscos sem comprometer a operação e permite ganhos contínuos de maturidade em segurança.
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Quais são as principais medidas de segurança para uma indústria?
Além da arquitetura Zero Trust, algumas medidas continuam sendo essenciais. Atualizações de sistemas, quando possíveis, segmentação de rede, controle rigoroso de dispositivos USB e conscientização dos operadores fazem parte da base.
Também é fundamental ter um plano de resposta a incidentes focado na recuperação. Na indústria, resiliência é tão importante quanto prevenção. A capacidade de retomar a operação rapidamente protege o OEE e reduz impactos financeiros.
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Segurança cibernética como habilitadora de negócios
A implementação de Zero Trust na indústria não deve ser vista como custo. Ela é um habilitador direto de eficiência, confiabilidade e crescimento sustentável.
Ao integrar IT e OT de forma segura, a indústria ganha visibilidade, reduz riscos operacionais e cria uma base sólida para inovação. Segurança bem aplicada não para a fábrica. Ela garante que a fábrica continue operando.
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