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Conectividade, Tendências

Como desbancarização muda relacionamento entre comércio e cliente?

A desbancarização dos serviços financeiros é um fenômeno crescente no Brasil. Segundo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgado em 2017, estima-se que em torno de 60 milhões de brasileiros não tenham conta em banco, o que representa quase metade da população economicamente ativa, e isso em todas as camadas sociais.

Mas isso não significa que essas pessoas estejam à margem do acesso a serviços e aos modernos meios de pagamento. Isso também reflete a tecnologia tomando espaço nessa área e permitindo que empresas, varejos e seus próprios clientes tomem as rédeas e as decisões de formas de pagamento cada vez com menos burocracia.

Mas será que a desbancarização é um fenômeno que veio para ficar? Quais são os desafios e os impactos para a cadeia financeira no Brasil?

Para nos ajudar a entender melhor sobre a desbancarização e meios de pagamento, conversamos com Daniel Guedine, planejador financeiro e sócio fundador da Performance Invest.

Quais são os impactos da desbancarização nos meios de pagamento?

Certamente a redução de taxas cobradas aos usuários é o maior impacto. Por exemplo, os cartões de crédito Nubank, que oferecem quase que qualquer bandeira sem absolutamente nenhum custo.

Outro benefício, um pouco mais complicado de se medir, é a melhora dos serviços e atendimento. Enquanto as fintechs investem em tecnologia e praticidade, as gigantes do setor investem em publicidade e benefícios como programas de milhagem, seguros embutidos nos seus cartões (que na verdade são cobrados através das anuidades), dentre outros.

Por isso há controvérsias, pois enquanto uns defendem a desbancarização total, outros argumentam que alguns benefícios podem fazer falta. Mas a verdade é que se você fizer contas certas, perceberá que não existe benefício gratuito. Logo, ainda acredito que a desbancarização, tanto dos investimentos como também dos meios de pagamento, oferece mais benefícios do que ônus.

A desbancarização traz mais desafios ou mais oportunidades?

Existem muitos desafios, mas as oportunidades são maiores.

Veja, enquanto as gigantes do segmento reforçam o seu tamanho, a sua força e bombardeiam no marketing de tudo quanto for jeito, as fintechs focam no consumidor, investindo em tecnologia, atendimento e preço.

Ou seja, enquanto as gigantes tradicionais focam nelas mesmas e em como reter seus clientes quase que a força, as fintechs apostam de fato nos clientes, oferecendo serviços melhores e atendimento mais ágil, além de eliminar um monte de burocracias.

Assim sendo, é uma questão de tempo até as pessoas compreenderem e confiarem nas novas empresas que vêm surgindo. O desafio é vencer o lobby dos grandes. Porém, a oportunidade são milhões de consumidores cada vez mais exigentes e informados, ávidos por serviços melhores a custo zero ou quase zero.

Em sua opinião, a desbancarização é um movimento crescente e sem volta no Brasil?

Disso não tenho dúvida. Tanto para os meios de pagamento como também para os investimentos.

Acredito que temos hoje no Brasil um ambiente perfeito para que isso ocorra. As pessoas perceberam que serviços especializados são melhores do que os genéricos (empresas que oferecem tudo e não focam em nada).

Por exemplo: enquanto os bancos oferecem cartões, seguros, serviços, investimentos, crédito, câmbio, etc., as corretoras independentes focam nos investimentos, outras exclusivamente no câmbio. As fintechs de meio de pagamento focam nesse serviço, no atendimento e redução de burocracia. As seguradoras focam em previdência e seguros, etc.

Sempre que feito através dos especialistas (corretoras, seguradoras, fintechs) os serviços são melhores, o atendimento é melhor e o custo mais barato para o cliente.

Outro ponto: a desbancarização é um movimento muito forte em economias maduras. Com a facilidade com que a informação se propaga atualmente e num ambiente onde as corretoras oferecem plataformas de investimentos muito melhores que os bancos, as fintechs oferecem opções mais baratas, mais ágeis e tão seguras quanto a dos bancos em relação aos meios de pagamento, não há razão de no Brasil as coisas serem diferentes.

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